Desmonte da CEF caminha a passos largos e segue modelo dos Correios

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Podemos afirmar sem margem de erro, que a política do governo golpista de Michel Temer  nomeou a Caixa Econômica Federal (CEF) como o carro-chefe da sua política de liquidação dos bancos públicos federais em favor dos banqueiros que,  em conjunto com o imperialismo norte-americano, são os maiores patrocinadores e beneficários do golpe de Estado em curso no país.

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Algumas medidas já foram ou estão sendo postas em prática, o que tem causado um verdadeiro clima de terror nos locais de trabalho.

No início do ano, a CEF lançou um plano de demissão voluntária – PDVE. Mesmo com toda pressão, que é caracteristica da política para implementar esses tipos de plano, a adesão foi baixa. Dos 10 mil bancários que faziam parte do público alvo, menos da metade aderiu.

Uma outra medida ainda não anunciada oficialmente, mas já objeto de denúncia pelos sindicatos é a “reestruturação” da empresa com o fechamento de até 120 agências. Tomando como base o que ocorreu no Banco do Brasil, o que se pode esperar é a perda  de centenas de comissões remuneradas e a imposição de que os trabalhadores se submetam a todo tipo de pressão como mudar de cidade e até de Estado para continuar trabalhando.

O que caracteriza o governo golpista é a pressa com que procura implementar todo tipo de ataque às condições de  vida dos trabalhadores. Nesse sentido, é bem possível que a baixa adesão ao PDVE aliada ao futuro “excedente” gerado pelo fechamento de agências sejam um dos motivos para se ressuscitar a famigerada norma RH 008, criada pelo governo Fernando Henrique Cardoso.

De acordo com o diretor do sindicato dos bancários de Brasília e funcionário da CEF, Antônio Abdan, “temos que ter atenção redobrada neste momento, pois já existe grupo de trabalho no âmbito federal discutindo a possibilidade de demitir sem justa causa empregados concursados das estatais. E, segundo as más línguas, os trabalhos já estão bem avançados”.

Ainda corrobora com essa ideia o fato de processo semelhante ao da CEF estar em curso nos Correios. Segundo Abdan, “outro fato que aponta para a volta do RH 008 tem a ver com o ataque às empresas públicas brasileiras, a exemplo dos Correios. Com a justificativa de preservar a empresa, em março deste ano, o presidente da estatal anunciou programa de demissão motivada, que em outras palavras significa demitir servidores concursados sem justa causa”.

Mas o desmonte da CEF não para por aí, as partes mais rentáveis da estatal estão em vias de serem entregues aos banqueiros: cartões, habitação, loteria e a gestão do FGTS. A loteria, por exemplo, foi dividida em duas empresas, uma a ser privatiza no segundo semestre desse ano e a outra em 2018. Há de se perguntar o que restará da Caixa depois da entrega do que a de mais rentável na empresa.

Finalmente, como que para coroar o ataque sem precedentes ao patrimônio público e aos seus funcionários, o CEF que rever a sua participação no plano de assistência médica, o Saúde Caixa, considerado como um dos melhores entre os planos das empresas estatais e públicas. Isso implicará no sucateamento do plano e no progressivo aumento da participação financeira dos funcionários.

Como se ver, o golpe de Estado no Brasil tem a pretensão de não deixar nada em pé. Tudo que diz respeito aos interesses dos trabalhadores e ao patrimônio nacional está em vias de liquidação.

Para os trabalhadores em geral e em particular os bancários da CEF não há saída progressista que não passe pela derrota do golpe e o cancelamento de todas suas medidas. Nesse sentido, a greve geral do dia 28 de abril deve ser encarada como um momento importante para impulsionar a crescente mobilização que vem ganhando força por todo o País.

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