Um ano de impeachment mostrou que não era “tudo igual”

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Nesse dia 17 completou-se um ano da aprovação do impeachment de Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados, a sessão que ficou conhecida como o “circo de horrores”, quando deputados notoriamente corruptos aprovaram o golpe contra uma presidenta eleita que até agora não teve nada contra ela comprovado. Após a votação na Câmara, o Senado aprovaria definitivamente o impeachment em 31 de agosto.

Rascunho automático 67

O que o Brasil assistiu, durante esse um ano desde a aprovação do golpe, a direita golpista colocar em prática medidas contra o povo que os últimos três mandatos e meio do PT no governo não conseguiram fazer.

Apenas para citar alguns exemplos do que os golpistas já fizeram contra os trabalhadores, basta lembrar da aprovação da PEC do Teto que congelou os gastos públicos por 20 anos, atacando frontalmente os serviços básicos da população, como saúde e educação.

Conforme avança o golpe, mais profundos são os ataques contra o povo. Nesse momento, o governo golpista quer aprovar duas reformas quase que simultaneamente. A primeira é a reforma da Previdência, que quer acabar com as aposentadorias, elevando a idade mínima para 65 anos. A segunda é a Reforma Trabalhista que resultará em mudanças em mais de 100 pontos da CLT, conforme os próprios relatos dos deputados golpistas.

No meio disso tudo, a Câmara aprovou ainda a lei da terceirização, que na prática significa a volta à escravidão. A terceirização visa acabar com qualquer segurança contratual para o trabalhador.

Esses são apenas algumas medidas econômicas que os golpistas estão colocando em prática. Mas há ainda as medidas políticas, cujo objetivo é transformar o regime político em uma ditadura. No Congresso Nacional, está em discussão a reforma política, que prevê a modificação do sistema eleitoral de acordo com os interesses da direita golpista que domina as eleições.

Tudo isso é respaldado pela ditadura do Judiciário que só aumenta desde que o impeachment foi aprovado. Com o golpe, as arbitrariedades contra os direitos democráticos mais básicos da população só aumentam. A operação golpista da Lava Jato avança no sentido de estabelecer uma intervenção sobre o poder Legislativo, mandando prender sem provas, vazando propositalmente informações para a imprensa golpista a fim de realizar campanha política contra determinados políticos, passando por cima do direito à presunção de inocência e muitas outras arbitrariedades.

Não há dúvidas de que a ditadura no Brasil piorou, e muito, desde a aprovação do impeachment. Conforme já era esperado, a vitória da direita golpista no Congresso fortaleceria seus planos contra o povo. Embora enfrente certa reação popular, a direita se sente à vontade para atacar os direitos dos trabalhadores.

Esse é o ponto mais importante e do qual a esquerda pequeno-burguesa será eternamente cúmplice. Setores dessa esquerda, como o PSTU, o PSOL e grupos menores, se colocaram favoráveis ao impeachment – e até hoje negam que houve um golpe – com o argumento de que o PT era igual à direita. Para qualquer criança, tal política já parecia uma demonstração rasteira de oportunismo naquela época; hoje, depois de tantos ataques, não pode haver dúvidas do caráter da política dessa esquerda.

Essa esquerda pequeno-burguesa golpista procura até hoje se aproveitar da ofensiva da direita para obter ganhos eleitorais em cima do PT, como se isso fosse possível. A experiência desses meses de governo golpista deixou claro que não só essa política é errada, como impulsiona a direita e seus planos.

Esse um ano de impeachment deve ser lição para todo o movimento popular. O golpe só será derrotado de conjunto, ou seja, em uma luta política para derrotar os golpistas. Essa continua sendo a tarefa do momento.

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