O golpe é branco

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Uma questão que os golpistas ainda estão suando para resolver é como apresentar o governo como sendo democrático e, para isso, certamente eles precisariam mostrar alguns negros como sendo simpatizantes ou ligados aos golpistas, apoiadores do que está acontecendo. É uma missão complexa que nem mesmo certos parlamentares golpistas estão dispostos a cumprir.

Rascunho automático 67

Ainda não apareceu esse negro convicto de que o golpe de Estado foi uma boa solução para os problemas que o Brasil e os negros brasileiros enfrentam. Falo aqui de convicção, de adesão política e ideológica. Fora desse aspecto, existem, sim, algumas parcas exceções e, justamente por isso, merecem a mais dura crítica da esquerda revolucionária e do movimento negro como um todo. Claro, isso sem mencionar os programas televisivos do governo e seus figurantes.

Um caso mais recente foi da Ministra (golpista) dos Direitos Humanos, Luislinda Valois, que, em determinada intervenção, falou que as mulheres negras e avós pediram à ela para dizer ao presidente golpista Michel Temer, que ele teria a denominação de ”Padrinho das Mulheres Negras Brasileiras”.

Um grupo integrante do movimento negro teve uma reação positiva e criticou a Luislinda. A Coordenação Nacional de Gênero do CEN – Coletivo de Entidades Negras editou nota que diz ao final que “com certeza a Senhora [ministra golpista] sabe o que é ser mulher negra num país como o Brasil e na Diáspora Africana. Não é possível que tenha esquecido, assim como a senhora também sabe que não deveria eleger esse Sr. Como padrinho de uma mulher negra. Por favor, Senhora… Nos respeite, respeite nossa luta, respeite nossa ancestralidade”.

Deverão haver mais negros no Poder Executivo em alguma escala, mas na composição dos ministérios só tem essa senhora, que, como não podia ser diferente, está fazendo um tremendo papelão, até porque não existe mais direitos humanos.

Existe um outro negro entusiasta do golpe de Estado, direitista e alucinado, que é o Sr. Fernando Holiday, vereador pelo partido da ditadura, DEM, na cidade de São Paulo. A pele negra, neste caso, foi um acidente biológico, acreditem, ele é branco, talvez um “redneck” norte-americano, um confederado. Sua posição é facilmente confundida com um integrante da Ku Klux Klan. Contra os direitos do negro, contra os heróis do povo negro, contra a luta do negro em geral, Holiday é o melhor e único representante negro do golpe de Estado.

Mesmo assim, vale uma pesquisa, “devem haver mais negros no governo golpista”, alguém pode pensar. O resultado do Google é que até a ONU, representante do imperialismo mundial, criticou Temer pela falta de negros, além de dezenas, se não centenas de matérias criticando o racismo do governo golpista, tanto pela sua composição, quanto pelas medidas que está tomando.

O Brasil tem quase 55% de sua população composta por negros. Se tirarmos esses dois citados nesta matéria o número fica o mesmo. Certamente é 55% de rejeição (se não de ódio) ao golpe de Estado. Os golpistas tentam mascarar esse fato através de manobras, como no caso de Luislinda, mas o fato é: o golpe é branco.

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