MRT repete imprensa golpista e ataca a CUT

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As delações de executivos da Odebrecht, que vieram à tona na semana passada com os vazamentos da lista do ministro do STF, Luiz Fachin, além dos nomes de mais de uma centena de políticos envolvidos, inauguraram uma nova modalidade de acusações: os jornais golpistas deram certo destaque às delações que afirmam que dirigentes sindicais teriam recebido propina para acabar com greve da construção civil.

Rascunho automático 67

Essas “graves denúncias” por parte dos empresários delatores, divulgadas pela imprensa golpista são nitidamente direcionadas a setores da esquerda pequeno-burguesa que formula sua política com base em impressões ocasionais e no falatório dos jornais burgueses. Poderíamos dizer que, enquanto os ataques generalizados aos políticos burgueses servem para criar um clima de histeria no meio da classe média conservadora, as denúncias contra sindicalistas servem para criar semelhante histeria no meio da esquerda pequeno-burguesa.

O interesse dos golpistas é muito claro. A direita percebeu que o movimento contra o golpe está crescendo e, mais ainda, se radicalizando. O desenvolvimento da situação política está criando uma polarização que potencialmente pode evoluir para uma mobilização mais massiva contra o golpe.

Os vazamentos sobre os “sindicalistas pelegos” são claramente uma tentativa de desmobilizar um setor da esquerda que começa a se deslocar para posições mais radicais contra o golpe. A repercussão do ato do dia 3 de maio contra a prisão de Lula em Curitiba é o sintoma mais importante desse deslocamento.

Setores da esquerda pequeno-burguesa, papagaios dos jornais burgueses e oportunistas incontroláveis, morderam a isca jogada pelos jornais burgueses. Começaram a atacar os sindicalistas da CUT e Lula por serem “traidores da classe operária”.

Um desses grupos for o MRT (Movimento Revolucionário dos Trabalhadores, ex-LER-QI), que integra a “central sindical” de brinquedo do PSTU, a Conlutas. Segundo esse grupo, depois de reproduzir acriticamente todas as delações contra Dilma e Lula, as delações contra dirigentes da CUT da construção civil são verdadeiras e, mais ainda, servem para provar que toda a CUT é vendida. O próprio título do jornal do MRT, Esquerda Diário, mostra não só a completa adaptação do que diz a direita, mas o oportunismo dessa esquerda pequeno-burguesa: “Dirigentes da CUT recebiam para segurar greves. É preciso tirar os sindicatos vendidos”.

Para a LER-QI (atual MRT), conforme está afirmando a direita golpista, a CUT é “vendida” e a esquerda deveria pegar carona no ataque da direita para jogar ainda mais lama na CUT, ou na linguagem do MRT, “tirar os sindicatos vendidos”.

Um oportunismo rasteiro e que no final das contas só pode favorecer a direita golpista, ou a LER-QI acha que poderá substituir os “pelegos da CUT”?

Não contente em repetir acriticamente os ataques da direita, o MRT faz exatamente o que querem os golpistas: colocam em dúvida a capacidade da CUT de lutar contra o golpe e procuram desestimular a luta, em lugar de impulsioná-la. “Frente a esta notícia é natural surgir a dúvida: e se Temer paga o suficiente e sinaliza com algum acordo, estes dirigentes escastelados na direção dos sindicatos que deram uma trégua de um mês para Temer aprovar seus ataques, deixariam os ataques passar sem nada fazer? Ou ainda serviriam de tropa de choque de Temer para furar as greves?”

É o tipo de política do pequeno-burguês que entende a luta dos trabalhadores como uma oportunidade de obter pequenos ganhos para si. Para essa esquerda, não se trata de lutar contra o golpe e impulsionar essa luta como um problema de vida ou morte para os trabalhadores. Trata-se de disputar eleitoralmente cada oportunidade contra o seu adversário. Vale lembrar que nem o MRT nem mesmo a Conlutas são reais adversários da CUT e que por isso não tem nenhuma possibilidade de tomar o seu lugar. Por isso, a única coisa que o MRT faz é jogar água no moinho da direita.

Para nós do PCO não se trata de ter nenhuma ilusão em ninguém. Não temos a mesma política da direção da CUT e de Lula. Mas a luta contra o golpe não tem nada a ver com essas considerações. A luta contra o golpe é uma necessidade da classe operária, é uma política que deve ser levada adiante independente do que pensam setores A ou B, muito menos deve se adaptar diante da direita golpista.

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