Sindicato não é da conta de burguês golpista, não à reforma trabalhista

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Durante as discussões sobre a reforma trabalhista, começam a aparecer determinadas opiniões de políticos burgueses sobre as organizações sindicais. Essas ”opiniões” revelam, na realidade, que o objetivo principal da reforma trabalhista é atacar os sindicatos.

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Prova disso é que uma das principais medidas previstas na reforma trabalhista é prevalência do chamado negociado sobre o legislado. Essa mudança significa que a legislação trabalhista deixa de existir na prática. O capitalista nunca segue o que a lei impõe, mas o que a reforma trabalhista propõe é deixar o trabalhador completamente nas mãos do patrão, que tem muito mais força para impor seus interesses. Assim, o patrão pode pressionar o trabalhador a negociar qualquer coisa que vá contra o que está previsto na legislação.

A consequência mais nefasta, no entanto, é que tal mudança vai destruir a representação sindical dos trabalhadores. Se o patrão pode negociar com cada trabalhador, ou mesmo cada fábrica, qual o sentido de existir o sindicato. Os trabalhadores ficarão totalmente nas mãos do capitalista.

Tempos atrás, muito se falou em reforma sindical, que pretendia uma intervenção direta do Estado na organização trabalhadores. A burguesia parece ter desistido de tal reforma, mas não é isso. A reforma trabalhista está’ cumprindo o papel de atacar os sindicatos. Pode ser que após todos os ataques previstos na reforma trabalhista, uma reforma sindical mais dura seja colocada em prática pelos golpistas. Mas neste momento, a modificação das organizações sindicais é um objetivo central da reforma trabalhista.

Muito mais do que mudanças econômicas, ainda que sejam muito ruins para os trabalhadores, os capitalistas precisam destruir a organização sindical dos trabalhadores. Um sindicato, por mais pelego e paralisado que seja, é um instrumento que garante ao trabalhador a regulação da mão de obra. Destruir os sindicatos significa deixar a classe operária totalmente desamparada.

A burguesia tenta de todas as maneiras influir no modelo de organização sindical, como se isso fosse da conta dela. Os únicos que devem interferir nos sindicatos são os próprios trabalhadores. O sindicato foi criado pela classe operária, é sustentado pela classe operária e deve ser administrado por ela. A burguesia, nem o Estado burguês têm que interferir nos sindicatos.

Os trabalhadores têm seus próprios métodos de organização. As finanças do sindicato deve ser controladas pelos trabalhadores, em assembleias ou nas instâncias que a categoria defina. Se o sindicato fará campanha política ou não, se ele vai defender um partido ou não, isso é um problema da categoria organizada.

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