Patrono do golpe, Paulo Skaf pode lançar terceirização em “sua” própria rede

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Após o sancionamento da lei da terceirização pelo governo golpista através de Michel Temer as perspectivas podem ser imediatamente ruins para os trabalhadores do país em vários ramos de atividades fins, agora regulamentadas para serem atacadas pela terceirização.

Os professores da rede Sesi já convivem com o fantasma da demissão há cerca de dois anos quando foi lançada pela FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), a Faculdade Sesi para formação de professores a nível de graduação e até de pós graduação, onde para conseguirem preencher as vagas das faculdades, os seus mentores já anunciavam, estudem e tenham a possibilidade trabalho na Rede Sesi, além de todo estágio na própria rede. Os professores da rede sabem, que seus futuros estagiários, estarão de olho em seus empregos, ainda mais porque não existe política de expansão da rede educacional do Sesi, pelo contrário, estão fechando escolas em todas as regiões.

Além do medo que vem de dentro, o outro está instalado com a vigoração da terceirização assinada por Michel Temer.Pois em termos simples, se uma escola contrata empresa para que essa empresa forneça os professores que vão dar aula na escola, isso é terceirização. Se a escola contrata uma empresa para fornecer a pessoas que vão trabalhar na cozinha da escola, também. De acordo com o relatório de Terceirização e Desenvolvimento publicado pel CUT, a maioria das empresas, cerca de 92%, terceirizam para diminuir custos, apenas 8% terceirizam para conseguir mão de obra especializada.

Os professores sesianos que já são por demais exigidos, com a terceirização, terão essa situação aumentada muitas vezes, pois, terceirizado, haverá, a pressão por se manter no trabalho o máximo possível, ou ainda ser recontratado rapidamente por outra escola, isso eleverá os níveis de stress entre a categoria, que sofrerá com adoecimentos mais constantes e doenças do trabalho. Assim os professores que mais trabalharem, além de estarem com salários muito inferiores aos atuais, e que podem acabar nem recebendo pelo risco, frequentarão com mais assiduidade as filas do SUS, se este ainda existir. Os acidentes e mortes durante o serviço são mais recorrentes no setor terceirizados.

Outro viés da terceirização, é a brutal diminuição salarial, dados do Dieese, mostram que o trabalhador terceirizado recebe cerca de 75% do que ganha seu colega contratado de acordo com a legislação da CLT. Mas mesmo antes da aprovação da Terceirização, Paulo Skaf, já anunciava sua terceirzação com o rebaixamento dos salários implementando em todas as categorias profissionais da rede Sesi, uma nova faixa salarial, rebaixada em até 30% em relação aos funcionários antigos. Os professores também foram atingidos. Em um caso estremo, professores de Educação Física, contratados para dar aulas nas séries iniciais do ensino fundamental 1° ao 5°ano, cargo que não existia, até 2016(essas turmas não tinham professores especialistas de Educação Física) recebem R$12,00 a hora aula, valor inferior até mesmo mao pago aos professores da Rede Estadual de ensino de São Paulo. De acordo com a tabela salarial da categoria referente ao acordo coletivo de 2015/16, os professores tinham a seguinte remuração:

Professores de educação básica II, em atuação antes de 2017 percebiam o valor da Hora aula em R$ 29,85; professores  de educação básica II , contratado a partir de 01/2017, passaram a receber como valor da hora aula R$ 21,37; diminuição salarial de 28,4% em relação aos antigos professores. Outro exemplo, professores de educ. básica III, que lecionam para o ensino médio, em atuação antes de 2017 recebem por aula R$ 35,83, os novos contratados R$ 26,07, uma diminuição salarial de 27,2% em relação aos antigos professores.

Além de receber salários arrochados, os professores sofrerão com o aumento de suas jornadas de trabalho, pois o discurso, nas escolas particulares é se não quer, tem outro que irá pegar suas aulas, com isso, milhares de professores terceirzados se sujeitarão a jornadas ainda maiores doa que as que já ocupam hoje. Os dados mostram que os trabalhadores terceirizados trabalham mais que os contratados diretamente, em média três horas a mais por semana, 12 horas por mês, para ganhar um quarto a menos que seus companheiros. Com isso a FIESP, mentora do golpe mostra como irá cortar na cerne de seus trabalhadores com a terceirização.

Uma falácia, colocada pela FIESP, nas milhares de cartilhas a favor da terceirização, que distribuiu há cerca de dois anos é que o trabalhador teria garantia de emprego. Nas próprias regras divulgadas por Michel Temer é claro que, as contratações serão por curto prazo e no caso do professor (e qualquer trabalhador), não poderá trabalhar paralelamente para outra empresa terceirizada(concorrente), colocando o trabalhador numa situação de miserabilidade. O tempo de rotatividade de um trabalhador contratado diretamente é de 5,8 anos, ou seja, em média, o trabalhador mantém o emprego por esse período antes de ter de ir buscar emprego, esse número para os terceirizados é de 2,7 anos, menos da metade.

Além de todos os ataques já mencionados, as empresas terceirizadas são processadas em milhares de casos por não pagar salários, INSS, vale-transporte e outras garantias. E muitas vezes ao tentar exigir o pagamento por seu trabalho, os trabalhadores descobrem que a empresa se mudou, deixando os trabalhadores com uma mão na frente outra atrás, assim como fizeram há cerca de 18 meses com os trabalhadores terceirizados da área da limpeza da rede Sesi. Casos como esse são comuns no Brasil inteiro.

Para conseguir fechar seus planos, os patrões virão contudo para cima dos sindicatos dos professores e os dos trabalhadores em geral. Eles aproveitarão a divisão da categoria para impor aos funcionários terceirizados,  sindicatos diferentes do resto da categoria,  ou seja, sindicatos regionalizados, por terceirzada por exemplo, quebrando a união dos trabalhadores. No Sesi, onde os sindicato que representam a categoria, são os Sinpros, estes serão quebrados pelas manobras da própria lei, uma delas é a de que a empresa poderá indicar um “representante sindical” para cada terceirzada, o que não dizem é que este representante poderá ser do próprio RH da empresa, ou ainda, um cupincha, lambebotas do patrão contratado diretamente para assinar qualquer acordo ainda mais rebaixadoque os anteriores. As negociações salariais serão sempre piores para os terceirizados, uma prova são as suas condições de trabalho.

Com isto, apenas quem tem algo a ganhar são os patrões, retirando direitos, fazendo os professores trabalharem mais e ganharem menos, a FIESP economizará milhões.

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É hora dos professores da Rede Sesi, terem claro essa brutal situação e engrossarem dia 8 de abril, na sede dos Sinpros, de São Paulo, as assembleias que definirão a greve da categoria no dia 28 de abril, dia da greve geral dos trabalhadores no país, contra a mercerização, a reforma da previdência e o golpe de estado, parando todas as escolas do Estado.

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