Skaf arrocha os salários: Professores do Sesi/Senai “pagam o pato”

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Ocorreu no sábado dia 25/03, a assembleia do Sinpro-SP, assim como nos outros 25 sindicatos do Estado para deliberação sobre as contrapropostas patronais e os rumos da campanha salarial  de 2017, para os professores da Rede Sesi/Senai.

Na assembleia de São Paulo o número de professores foi bem menor que no encontro anterior, onde havia abono de ponto para a categoria comparecer, apesar disso, houve quórum para deliberação.

Em que pese o repúdio de grande parte da categoria aos ataques anunciados pelo governo federal esta semana com a terceirização e o fim da aposentadoria, assim como a ameaça de demissão em massa para este ano, anunciada pela rede de Paulo Skaf, com a criação de faixas salariais reduzidíssimas para os novos professores contratados, este descontentamento não foi transformado em uma ampla mobilização.

Tal falta de mobilização foi impulsionada pela política capituladora da direção sindical, que sequer cumpriu as tarefas de mobilização, aprovadas pela categoria na assembleia anterior como a distribuição de milhares de panfletos nas portas das escolas da rede para a comunidade escolar, assim como a perceptível capitulação dessa burocracia na última assembleia, que apesar das intervenções dos professores de Educadores em Luta, defendendo a greve dia 15 de março contra a reforma da previdência e aprovada pelos mesmos, a direção sindical orientou que “se os professores não paralisarem dia 15, que trabalhem discutindo com os alunos as reformas, assim como usassem uma fita preta para mostrarem seu descontentamento”. Uma situação que virou chacota entre os professores, dizendo que sindicato queria que professores fossem para o dia de luta com fitinha do Rambo. Além do que, sequer ocorreram na grande maioria das escolas visitas de diretores sindicais para impulsionar a luta.

Frente a desmobilização, na assembleia os professores e técnicos de ensino do Sesi e Senai decidiram aceitar a contraproposta patronal que prevê manutenção de parte das cláusulas sociais por dois anos,  como férias coletivas, recesso, horas extras a 70% do valor da hora aula, hora-atividade. Outras como a que prevê indenização adicional de 15 dias em caso de demissão aos professores com mais de 50 anos foi mantida por apenas um ano, dando mostra de que demissões em massa virão nos próximos anos e o patronato não está disposto a pagar direitos aos trabalhadores, assim como em um ano será negociada novamente a estabilidade dos professores há 24 meses da aposentadoria.

O reajuste salarial foi aumentado em míseros 0,2% em relação à primeira proposta, ficando em 4,2% e reajustes nos vales alimentação e refeição de 7%. O reajuste ficou bem abaixo da inflação real e foi inferir em quase 0,3% ao índice do custo de vida calculado pelo DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). Em 12 meses, entre março de 2016 e fevereiro de 2017, a variação acumulada foi de 4,48%.

A FIESP, que controla o sistema Sesi-Senai também anunciou que em 2018 haverá aumento nos descontos relativos ao plano de saúde em folha de pagamento.

Após assinado o acordo coletivo os professores cobrarão a direção sindical pela manutenção da isonomia salarial, já que este ponto está previsto no acordo que os patrões aceitaram assinar e este é um dos grandes perigos aos trabalhadores em geral da rede Sesi, que no início deste ano viram novos companheiros serem contratados com salários até 30% inferiores aos antigos trabalhadores. E a direção sindical se negou a organizar mobilizações contra esta situação garantindo em todo Estado, que o acordo coletivo após assinado garantiria judicialmente os salários iguais para todos na mesma função.

Toda essa situação dá mostras que o próximo período será de ataques da FIESP e do conjunto do patronato às condições de vida e trabalho dos professores das redes particulares de ensino.

Os professores presentes aprovaram a possibilidade de nova assembleia para dia 8 de abril para deliberar a greve da categoria junto à greve nacional contra a reforma da previdência e a terceirização por dois dias.

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No sistema Sesi-Senai, assim como em todo  País, os trabalhadores precisam superar a polítia conciliadora da maioria das direções sindicais para lutar contra a brutal ofensiva em curso, para derrota-la é preciso lutar e derrotar o golpe.

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