PSTU/Conlutas, essa terceirização é de vocês e do “Paulinho da Força”

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Derrota dos trabalhadores na Câmara dos Deputados, que pode levar a um retrocesso de décadas nas condições de vida de milhões de trabalhadores, deve ser “debitada” na conta daqueles que apoiaram o golpe, a derrubada de Dilma e pregaram a divisão dos trabalhadores em sua luta e a “unidade” com os inimigos dos trabalhadores e defensores das propostas da FIESP, como a Força Sindical

Rascunho automático 67

Por uma diferença de menos de 50 votos, os golpistas aprovaram nesta terça (22) na Câmara dos Deputados, em última votação, o Projeto de Lei 4302, encostado no parlamento desde 1998 e que se constitui em um dos maiores ataques contra os trabalhadores em mais de 100 anos.

Basta apenas a sanção do presidente golpista Michel Temer (PMDB) para que seja tornada Lei a terceirização sem barreiras, passando por cima do que vigora (relativamente) até o momento de que a terceirização não poderia atingir a atividade fim. Passará a vigorar um autêntico vale-tudo contra o trabalhador.

O PL 4302 já é um primeiro passo no sentido de liquidar totalmente cm a CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas). Além da terceirização sem barreiras, impõe o contrato temporário como norma, podendo durar até 9 meses, liquidando para milhões de terceirizados com as férias, 13° salário, FGTS e até mesmo com as aposentadorias, antes mesmo que sejam aprovadas as “reformas” da Previdência e trabalhista, uma vez que  trabalhador “terceirizado” (que deverão se tornar a maioria, se não houver uma reação geral da classe operária) não vi ter direito a mais nada.

Não era tudo a mesma coisa, o PT e os golpistas?

Os trabalhadores não chegaram a esta situação por obra do acaso ou por responsabilidade exclusiva da direita golpista que age em função dos interesses que representa neste momento: os do imperialismo e do grande capital nacional que apoiou o golpe.

Não basta apenas apontar para a “maldade”  da direita e fingir que a esquerda fez tudo que era possível para evitar o desastre.

Até mesmo s representantes da burguesia ensaiaram uma divisão diante da tremenda reação que vem se levantando  golpe e os ataques do regime golpista, como se viu no ultimo dia 15, quando mais de um milhão de pessoas foram às ruas de todo o País. A votação na Câmara refletiu, ainda que de forma distorcida, essa divisão. Foi a votação mais apertada dos últimos tempos de predomínio da direita no Congresso. A diferença foi de apenas 43 votos (231 votos a favor, 188 contra e oito abstenções),   que mostra que a burguesia está se dividindo diante do avanço do golpe, dos ataques à economia nacional e, principalmente, da reação dos trabalhadores.

O problema é que esta reação foi (e continua sendo) minada por inúmeras posições políticas que semearam confusão e divisão no interior do movimento operário e foram decisivas para permitir

A principal dessas posições foi  o apoio dado ao golpe por setores da esquerda pequeno burguesa (PSTU, PSOL e satélites) sob  pretexto que os governos encabeçados pelo PT e PSDB eram tudo a mesma coisa, que era preciso derrubar Dilma e depois derrubar os outros (“Fora Dilma, Fora Todos”, do PSTU).

Menos mal que fossem apenas esses “gênios”  da esquerda que arcassem com o ônus de sua “análise” que apresentava o governo que está aprovando o PL 4302, como sendo  a mesma coisa que os governos, como  de Lula que, em 2002 (no primeiro ano de seu primeiro mandato) enviou mensagem de retirada do PL 4302. N entanto, suas consequências serão sentidas por milhões.

De mãos dadas com a Força, a FIESP e os fascistas…. contra os trabalhadores

Esses esquerdistas não ficaram apenas na pregação. Sua política de que é “tudo a mesma coisa”, a direita e a esquerda, o PT e  PSDB etc. embalou setores da própria Conlutas (e “combativos” aliados) a se juntarem às manifestações coxinhas em todo o País. Alguns aderiram ao “fora Dilma”, até antes de setores da direita, fazendo campanha pelo candidato do PSDB, já no segundo turno das eleições presidenciais de 2014, como  presidente do Sindicato dos Correios de Pernambuco. Outros, como o grupo universitário Movimento Negação da Negação, foram às ruas junto com o MBL, Bolsonaro, PSDB etc. para apoiar o impeachment e, de fato, apoiar a ascenção de Temer ao governo e o fortalecimento da direita que acaba de aprovar a terceirização ampla, geral e irrestrita.

Mas a confusão semeada por esta esquerda não para por aí. Os golpistas “desenterraram” o PL 4302, que tramitava na Câmara há quase 20 anos, desde o famigerado governo FCH (1998), têm muito que agradecer a estes “companheiros” por terem atuado em favor da “unidade” dos que lutavam contra o golpe e contra os ataques dos golpistas com os que defendiam abertamente o golpe, a terceirização e tudo mais que ataca s trabalhadores. Assim o PSTU-Conlutas e o PSOL (Intersindical) deram sua contribuição defendendo – junto como o PCdoB (CTB) e com setores mais burocráticos da CUT – a “unidade” a todo custo com a Força Sindical, do deputado “Paulinho da Força”, do Solidariedade, um dos patronos da aprovação na Câmara do PLC 4330 (que tramita no Senado) e  do PL 4302, que teve como relator deputado Laércio Oliveira, 3º vice-presidente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), também do Solidariedade.

E não pararam aí. Essa esquerda, fez e faz campanha – juntamente com a direita – pela prisão da maior liderança popular do País, que ao contrário do PSTU, PSOL e suas sombras, defendeu na Avenida Paulista, n último dia 15 que o caminho é a luta contra o golpe, é a mobilização nas ruas para derrotar os golpistas e seus planos.

Ao invés de atacar os inimigos dos trabalhadores, fazer campanha contra o golpe, essa esquerda mostrou o caminho da divisão, atacando a esquerda e defendendo a “unidade” com a direita, com os afilhados da FIESP, apoiadores de Cunha, Aécio etc.

Semearam confusão e divisão pensando em tirar proveito da crise do PT, da queda do governo etc. para obter dividendos políticos e eleitorais. Colocaram seus interesses próprios acima dos interesses da classe trabalhadora.

Agora lamentam a aprovação da terceirização e, os que podem, votam e fazem discursos contra a aprovação do PL 4302. Mas isto não vai servir para limpar a ficha de ninguém. Não vai resolver o problema dos trabalhadores que vão ter que pagar a conta.

A burguesia tem o que agradecer a estes senhores. A classe operária tem que passar por cima da política reacionária desses elementos, para avançar em sua luta e derrotar todos aqueles que se coloquem em seu caminho.

Começando por denunciar o conluio que levou o PSTU-Conlutas a ter direito de assinar embaixo da aprovação do PL 4302, juntamente com “Paulinho da Força” e toda a direita reacionária.

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