Eliane Catanhêde – Liberdade de expressão só para quem pensa como ela

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A afronta inconstitucional do juiz Sérgio Moro contra um jornalista continua a render polêmica

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Todo o mundo que lê notícias sabe da venalidade e parcialidade da jornalista Eliane Catanhêde. Ela é defensora intransigente do PSDB, ao qual chama de partido de massa “limpinha e cheirosa”, em contraste como o PT, que, segundo dá a entender, seria formado por uma massa não tão limpinha nem tão cheirosa.

Essa senhora não é uma verdadeira jornalista, é mais um porta-voz da direita raivosa, que procura enganar a população afirmando que o governo é legítimo e que anda bem das pernas. Afirmava, com os dentes cerrados de raiva, que a crise do governo de Dilma Rousseff não se devia a uma crise internacional; hoje, afirma que a crise do governo de Michel Temer deve-se sim a uma crise internacional. Decida-se, minha senhora!

Ela também defende, com unhas e dentes, a operação golpista Lava Jato. É intransigente em relação a isso. Sérgio Moro e companhia podem fazer o que quiser, pois estão sempre certos. Não importa se afrontem a Constituição. A lei deles vale mais. Eles estão acima da lei, da Constituição e da Justiça. Pois estão a serviço dos mesmos interesses que ela.

A “condução coercitiva” (um eufemismo que se diz para não dizer “levado à força para depor”) do jornalista Eduardo Guimarães para depor na Polícia Federal do Paraná, e ser admoestado a revelar suas fontes (cujo segredo é garantido, também, pela Constituição), deveria ser criticada por toda a imprensa, em peso. Mas aqueles que estão do lado do golpe, pouco estão se lixando para a Constituição. E Catanhêde procurou justificar Sérgio Moro usando os próprios argumentos do juiz, juiz esse que desconhece ou despreza as leis e a justiça.

Se Moro disse que ter um blogue não faz de Guimarães um jornalista, Catanhêde vai mais longe, afirmando que Guimarães não é jornalista, mas um “aventureiro”. E o diz nas seguintes palavras: “Sigilo de fonte é garantia constitucional para jornalista, não para qualquer aventureiro.” E que “abrir um blog qualquer não transforma ninguém em jornalista”.

Surpreendeu-me a informação. O que é ser jornalista, então? Dar informações falsas para enganar um público desinformado, como ela faz, é algo coerente com a profissão de um jornalista. Seria isso? Não. Para ela ser jornalista é ser funcionário de um grande conglomerado capitalista, monopolista da informação. Apenas esses conglomerados têm o direito de dar notícia. Um blogue não tem o direito.

Recorramos ao dicionário para ver se Catanhêde tem razão. Segundo o Houaiss, jornalismo é uma “atividade profissional que visa coletar, investigar, analisar e transmitir periodicamente ao grande público, ou a segmentos dele, informações da atualidade, utilizando veículos de comunicação”. Por caso um blogue não seria um veículo de informação? Por acaso Guimarães não transmite ao público informações?

Não, na verdade, jornalismo não é nada disso. Jornalismo é aquilo que a Globo faz, do jeito que ela faz; jornalismo é aquilo que o Estado de S. Paulo faz, do jeito que faz. Enfim, jornalismo é aquilo que Sérgio Moro define e não aquilo que o dicionário define. Tampouco é aquilo que a Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) define, nem aquilo que Repórteres sem Fronteiras definem.

Catenhêde tem muito em comum com Sérgio Moro. Para eles, a Constituição Federal não diz o que está nela escrito, mas o que eles acham que deveria estar escrito ali. Se não, vejamos. Diz o Artigo 5º, parágrafo XIV da Carta: “é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional.” Aqui não diz que o sigilo da fonte é assegurado “apenas” a jornalistas. Se Guimarães é um aventureiro, ele também tem assegurado o sigilo da fonte. O sigilo da fonte é assegurado a TODOS. A TODOS, entendeu Dona Eliane? Entendeu? Entendeu? Quem não entendeu, levante a mão!

Se é assegurado a TODOS, também é assegurado aos aventureiros – ainda que Guimarães esteja longe de ser um aventureiro.

A mesma confusão faz Sérgio Moro. Parece que ele nunca leu a Constituição, ou faltou à aula de Direito Constitucional na faculdade. Nós sabemos que Sérgio Moro é um juiz, só não sabemos se tem capacidade para tal. Sabemos também que Eduardo Guimarães é jornalista. Isso todo o mundo sabe. Se tem blogue, se tem fonte, se dá notícia, tem ideias e sabe desafiar as correntes monopolistas de notícias é porque ele tem capacidade para tal.

Mas, e quanto a Catanhêde. Bem, ela não precisa ter capacidade nem competência. As ideias não são dela, são do patrão.

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