“É fato que os meninos não atiraram”, investigação desmente versão de assassinos

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Cai por terra a versão da PM, e da imprensa burguesa, que afirmou que o menino ítalo teria atirado três vezes contra os policiais militares no roubo de carro acontecido em 2016

A corporação mais assassina do mundo, a PM, serva fiel da burguesia e de sua ideologia, aumenta cada vez mais a aversão social contra suas ações arbitrárias sem limites. Desta vez, um caso volta à tona com a amostra de barbárie frente a morte de um  menino negro aos 10 anos com um tiro na cabeça (em 2 de junho de 2016). A Policia Militar na região do Morumbi, na zona sul de São Paulo, abriu investigação.

O que parece surreal, foi o Promotor de Justiça, Fernando César Bolque, do 1º Tribunal do Júri de São Paulo, apontando 23 falhas no inquérito conduzido pelo DHPP (Departamento de Polícia e Proteção à Pessoa), da Polícia Civil, que investigou a morte de Ítalo Ferreira de Jesus Siqueira. Enviado pelo Ministério Público na última sexta-feira (17), o relatório do inquérito conduzido pelo DHPP sobre a morte da criança, confirmou a versão da PM de que Ítalo foi morto numa troca de tiros. Ontem, em entrevista coletiva, o promotor anunciou que estava devolvendo os autos da investigação para a Polícia Civil e pedindo a realização de “inúmeras diligências faltantes”.

Segundo o promotor, a versão apresentada pelos policiais militares Israel Renan Ribeiro da Silva e Otávio de Marqui é falsa. “É fato que os meninos não atiraram”, afirmou Bolque na coletiva. Naquela noite, segundo ele, Ítalo e um amigo, de 11 anos, pularam o muro de um condomínio na Vila Andrade e furtaram um carro importado — um Daihatsu ano 1998. Perseguidos pela PM, as crianças pararam após bater o carro em um ônibus e num caminhão. Ítalo, que estava na direção, levou um tiro no olho esquerdo.

No ato criminoso dos policiais, primeiro em atirar para matar e depois mudar a versão, forçar a vítima a mentir, esconder provas, estão também, apontadas pelo Ministério Público na investigação do DHPP, a total ausência das imagens e dos áudios dos policiais assassinos na ocorrência, os quais não foram entregues pela PM, apesar dos pedidos dos investigadores.

Outro fato absurdo constatado pela investigação diz respeito aos resultados dos exames residuográficos, que apontaram presença de pólvora nas mãos de Ítalo, mas não na luva que o menino usava. “A investigação está muito aquém do esperado”, afirma Bolque.

O promotor também pede que os policiais militares sejam ouvidos novamente para esclarecer as duas versões diferentes que deram para a Polícia Civil a respeito dos supostos tiros que teriam sido disparados por Ítalo. Nos dois primeiros depoimentos, Israel e Otávio disseram que o menino atirou contra eles; na terceira vez em que foram ouvidos, voltaram atrás e disseram que viram “um clarão”. Para o promotor, “o policial que está na rua sabe diferenciar um tiro de um clarão”.

ítalo, morto pela PM

Em seus questionamentos, Bolque solicitou ao Instituto Médico Legal a explicação “se é possível, diante da altura da criança, ter efetuado disparo de arma com o vidro quase fechado”. Todas essas arbitrariedades necessárias para esclarecer as contradições entre o depoimento do PM Otávio, que disse ter atirado de pé, e o fato de o exame necroscópico ter apontado que Ítalo foi baleado de baixo para cima.

Os militares assassinos também terão que explicar por que retiraram do local do crime a arma supostamente usada por Ítalo e ainda levaram o garoto sobrevivente para a casa da mãe dele, em vez de apresentá-lo na Delegacia, contrariando as normas policiais e o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). Ouvido pelo DHPP, o menino disse na época que, ao ser levado pelos PMs, foi forçado, com agressões e ameaças de morte, a gravar um vídeo em que confirmava a versão da polícia de que Ítalo estava armado.

A PM está fora de controle e passa por cima da lei quando quer, onde quer e escancara a necessidade de, como corporação mais assassina do mundo, ter seu fim imediato.

Seguem ordens diretas da burguesia: tacam bomba em professores e secundaristas, matam 9 pessoas por hora, mudam versões, são os juízes das ruas, ameaçam cidadãos, criam milícias assassinas no campo à serviço dos fazendeiros da Ditadura, tem formação ideológica reacionária de direita (trabalhando também como guardas privados da elite) e não servem aos interesses do povo brasileiro. Milícias armadas nas mãos do povo, é a principal necessidade contra à total destruição do âmbito público no pais. Em reação a boçalidade da direita e de seus cães raivosos o povo trabalhador tem que se defender.

Rascunho automático 67

Dissolução da PM assassina. Em defesa do povo negro das favelas e periferias que vivem em constante guerra.

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