No G20, os EUA mandam e pronto

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O colapso neoliberal de 2008 mergulhou o capitalismo em uma nova e mais aguda etapa de sua crise. Desde então, todos os regimes políticos em países imperialistas entraram em crise. Partidos tradicionais do regime desmoronam, enquanto a extrema-direita cresce em meio às ruínas, em um cenário em que a esquerda continuou a reboque do neoliberalismo.

Rascunho automático 67

Nos EUA, essa crise se expressou na eleição de Donald Trump. O aparato do Partido Republicano perdeu o controle da nomeação de seu candidato. Depois, durante as eleições, o principal setor da burguesia imperialista nos EUA, o principal país imperialista, perdeu o controle das eleições presidenciais e não conseguiu impor a vitória de Hillary Clinton.

Esse resultado eleitoral torna a crise política nos EUA ainda mais grave. Trump na presidência cria uma série de problemas para o setor mais poderoso da burguesia norte-americana. Representante de um setor mais fraco, Trump governa sob constante pressão, ameaçado de cair e pressionado a se adaptar ao regime. Uma das principais disputas acontece em torno do “livre comércio”, em oposição às políticas protecionistas defendidas por Trump. O novo presidente norte-americano pretende taxar mercadorias estrangeiras produzidas nos EUA para estimular a produção local. Essa política é combatida pelo mercado financeiro e pelos bancos.

Na reunião do G20, essa disputa se reproduziu com os outros países do bloco colocando-se contra o governo dos EUA. O problema é que os EUA é que mandam de fato no G20. Em algumas votações, os EUA votaram sozinhos, 19 votos contra um. À medida que o encontro avançava, no entanto, os EUA impuseram sua política a todos os demais participantes. Em um comunicado do G20 divulgado no sábado, nem se falava em comércio. Em relação às mudanças climáticas, o mesmo resultado: os EUA não se comprometeram com nada.

O fato de que o governo norte-americano comanda a reunião do G20 sozinho, sem se importar com a posição dos outros governos presentes, mostra o tamanho do problema da burguesia imperialista. Sem o controle total do Estado norte-americano, sua política fica em dificuldades. Por isso os setores imperialistas já atuam há muito em função da necessidade de uma campanha contra Trump, apresentada como um ultimato: ou se adapta, ou cai. Uma campanha que deve ser feita, do ponto de vista da burguesia imperialista, com o cuidado de evitar inflamar os trabalhadores, que têm uma oportunidade de intervir na crise com uma atuação independente, livrando-se da tutela do Partido Democrático.

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