MES e caso das carnes: Ingenuidade ou simplesmente vendidos para o imperialismo

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Na última semana, o jornalista editor do Opera Mundi, Breno Altman, publicou um texto denunciando o descarado ataque contra a indústria nacional de carnes processadas, materializado na operação “Carne Fraca”, operação que em modus operandi e até em algumas pessoas envolvidas tem muito em comum com a Lava Jato. O jornalista foi prontamente respondido pelo Movimento de Esquerda Socialista (MES), tendência interna do PSOL, da ex-presidenciável Luciana Genro.

Rascunho automático 67

Friboi não é nacional?

Para o MES, Altman estaria errado, primeiro porque esses conglomerados de frigoríficos não seriam nacionais. Por alguns motivos, entre eles que: Tem maioria de receita e funcionários em países estrangeiros. E que portanto seriam empresas mundiais, tão opressoras quanto qualquer outra empresa imperialista.

Usando um exemplo, o grupo Volkswagen é alemão, ninguém em sã consciência diria que ele não é controlado por burgueses alemães, que controla e influencia o Estado alemão. A Volkswagen tem 610 mil funcionários, em torno de um terço está na Alemanha, apenas.

O que define se uma empresa é de um país ou não, não é se ela tem mais funcionários naquele país, ou se os lucros vieram daquele país, mas sim qual é o capital que o controla, e que Estado nacional que este capital, e seus associados, controlam e se organizam nesse Estado.

A empresa norte-americana de tecnologia Hewlett Packard, em 2009, teve uma minoria de seus lucros vindos das Américas, a maior parte vinda da Europa e Ásia, mas ela não deixou de ser norte-americana, ou virou francesa. O principal capital que lucrou e se enriqueceu continuou sendo o norte-americano. Se a Volkswagen precisar de força diplomática ou militar para abrir um mercado para si, a quem ela recorrerá? Não será François Hollande, ou Xi Ping, ou exército britânico, será o Estado Alemão que intervirá.

O moralismo que vai matar o país de fome

A tendência de Luciana Genro apresentou como outra justificativa os crimes que a Friboi e outras empresas do gênero cometeram, como corromper, vender mercadoria estragada e explorar seus trabalhadores. Isso realmente é absurdo. Mas irrelevante para a questão da operação que está abrindo caminho para a indústria estrangeira de carnes processadas. Pois as estrangeiras também corrompem, também vendem mercadoria estragada e também exploram os trabalhadores, só que de maneira maior e pior.

Não é uma disputa entre o empresário corrupto e o bom. O Movimento de Esquerda Socialista em nome de atacar os maus e os corruptos está simplesmente favorecendo os piores e os mais corruptos. Talvez o MES concorde com o papel da Lava Jato em abrir o mercado para as empreiteiras (e agora frigoríficos) imperialistas “não-corruptas”, nesse caso não há o que criticar, pois está abaixo da crítica.

“A corrupção como um pretexto para uma conspiração”

Reverberando a campanha reacionária, o MES nega que seja uma ação de caráter conspirativo, com participação da imprensa e do judiciário, coerente com o absurdo de apoiar a operação golpista da Lava Jato repetidamente. O Brasil sofreu um golpe, que foi conspirador. Sérgio Moro e a Lava Jato trabalham em sincronia com a imprensa para prender em momentos chave, divulgar grampos, sentenciaram diversos petistas e não tocaram em nenhum tucano, tudo foi contribuindo para a queda da presidenta eleita.

Em seu lugar subiu Michel Temer. Temer foi denunciado pelo portal Wikileaks como informante da embaixada norte-americana, tendo publicado documentos comprovando, importante lembrar que o Wikileaks tem um histórico de precisão de 100%, nem o governo norte-americano, a CIA ou o Partido Democrático negaram a veracidade dos documentos que eles publicaram ao longo dos anos, tendo inclusive, tomado ação legal para prende-los por espionagem, traição à pátria e outras acusações.

Apesar de útil, a contribuição de Assange não era necessária; o Brasil tem sobra de provas. Desde a queda de Dilma, o Brasil perdeu seu programa nuclear, seus campos de petróleo estão sendo vendidos. Existem projetos para vender suas terras, o BNDES foi praticamente desativado e vários mercados de empreiteiras nacionais estão sumindo e sendo entregues a estrangeiros. Para não ver é necessário não querer ver.

A burguesia nacional e o imperialismo

No texto debatido, a tendência do PSOL eleva o “status” das empresas ao que chamam de “subimperialismo”, apesar da expressão ser, em si, vazia, deve se esclarecer a confusão. As empresas imperialistas formam cartéis e dividem o mercado do mundo. Impedem a concorrência e controlam preços. Usam seu poder para controlar os governos locais e se necessário usam o poder do Estado nacional de onde vem para fazer valer sua vontade.

No Brasil, por exemplo, não existem empresas de automóveis nacionais, apesar do país ter condições de desenhar e produzi-los. Já o faz para as empresas imperialistas. O mercado é dominado por montadoras alemãs, italianas, japonesas, francesas e americanas. Esses cartéis, salvo as mais raras exceções dominam todos os mercados do mundo.

As empresas de frigoríficos brasileiras não controlam mercado algum fora o brasileiro, e mesmo esse com muitas dificuldades. Nunca teve um controle do mercado estrangeiro.

Outra prova é não conseguir influenciar o Estado brasileiro e imprensa golpista para fazer a sua vontade e parar a sangria.

Conclusões

Não se trata de defender os burgueses nacionais, mas impedir a entrega da indústria nacional para o estrangeiro. O imperialismo é mais poderoso que a burguesia nacional, inclusive na sua capacidade de conter os trabalhadores. Impedir um predomínio deles na economia e no governo é essencial para o desenvolvimento da luta dos trabalhadores. A organização dos trabalhadores é muito facilitada pela fraqueza do imperialismo, como era nos governos petistas, apoiados pela burguesia nacional, as dificuldades aumentaram muito com o golpe e a política dura do golpismo.

A tendência psolista se mostrou coerente na defesa do interesse imperialista. A cada esquina estão junto à direita, defendem a Lava Jato, e sua extensão dos frigoríficos, que foi parte essencial do maior ataque deste século à classe trabalhadora brasileira. Essa “coerência” mostra que são ideologicamente pró-imperialistas e devem ser combatidos como tal.

 

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