O significado de liberdade de expressão: falar o que os outros não querem ouvir

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A Declaração de Direitos do Homem e do Cidadão, um produto da Revolução Francesa, colocava como direito fundamental e dever humano resistir à opressão. A direita defende políticas para calar formas de expressão, seja com leis de silêncio após um determinado horário, a prefeitura de Dória, em São Paulo, está reprimindo pichações, proibindo blocos carnavalescos.

Rascunho automático 67

Essa política é capitaneada pela política de censura. Poucas vezes na história houve tanta censura como existe hoje. Disfarçada de defesa dos oprimidos. Com a defesa do politicamente correto, a direita deu passos largos na direção de proibir qualquer fala dissonante.

Essa política tem um objetivo claro, dar à burguesia maior controle sobre a população. Se é necessário pedir autorização para fazer uma manifestação, é uma maneira a mais de se reprimir, se panfletar se enquadra em uma lei ambiental é mais fácil silenciar a oposição política, se falar é passível de punição, é mais fácil reprimir um líder operário, um jornalista como Paulo Henrique Amorim.

Um setor da esquerda, como PSOL, PSTU e PCB, abraçou essa ideologia e pede que sejam tornados crime falar contra setores oprimidos da sociedade, uma esquerda que está entregando as liberdades democráticas da população, construindo um grande campo de concentração e entregando a administração do campo para a burguesia, pois quem decidirá sobre a culpa ou não de um processado por esses crimes será a própria burguesia.

Os que defendem essa política o fazem dizendo estar defendendo o direito de minorias e camadas oprimidas, como os negros, as mulheres e os LGBTs, isso não está certo. Em primeiro lugar não entendem a liberdade de expressão e seu papel revolucionário.

A liberdade de expressão, talvez junto da liberdade de organização política, é o pilar fundamental de qualquer tipo de democracia. O direito de falar livremente é em primeiro lugar uma extensão do direito humano de pensar.

Isso é muito respondido pela esquerda e direita pró-censura com argumento que algumas coisas não poderiam ser ditas, pois ofendem, pois oprimem e discriminam, por isso no Brasil por exemplo mandaram retirar o livro de Hitler das prateleiras.

Rosa Luxemburgo, dirigente comunista, uma vez disse que “liberdade é sempre e exclusivamente para aquele que pensa diferente de você”.

Para os revolucionários a liberdade de expressão consiste em falar o que pensa, quando pensa, sem medo de represálias, pois falar não fere, e não mata. Nenhum comunista tem de ser a favor de tirar livros de prateleiras, essa era a prática dos fascistas, a esquerda não deve ser a favor de criar uma nova literatura e definir uma “ideologia degenerada” (como fizeram os nazistas). Informação nunca oprime, na verdade, sua livre circulação é uma força revolucionária.

Alguns podem pensar que isso permitiria aos opressores oprimir mais, mas na verdade é o contrário. Quando os opressores quiserem falar e fazer, ninguém (salvo o povo) os parará, não houve liminar que impedisse os discursos hitleristas em 1933. Mas poderá ter uma liminar que condene um movimento por atacar verbalmente seus opressores, como é prerrogativa dos oprimidos.

Pode-se dizer que os direitos dos de baixo podem ser medidos pelos direitos garantidos aos de cima. Para garantir o direito da esquerda de falar é necessário garantir o direito de falar a todos, não importa o que ele esteja dizendo, não é competência do Estado patrulhar os pensamentos das pessoas.

Com a ajuda de alguns esquerdistas, o mundo está lentamente se transformando na distopia de George Orwell, a patrulha do pensamento já começou. A censura é um ato de barbárie, resistir à opressão, como disseram os franceses, é rejeitar o barbarismo e defender a liberdade coletiva da sociedade falar o que quiser, quando quiser, o direito de uma minoria de falar contra a maioria e o direito dos oprimidos de falar contra seus opressores.

“Não concordo com uma palavra do que dizes, mas defenderei até o último instante o teu direito de dizê-la.”

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