Para nossos camaradas, nos campos de prisioneiros de guerra

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Camaradas, uma revolução aconteceu na Rússia.

Campanha Financeira 3

Os trabalhadores de Petrogrado e Moscou estiveram novamente na vanguarda do movimento libertador. Eles organizaram uma greve política. Eles fizeram manifestações de rua sob a Bandeira Vermelha. Eles lutaram como leões contra a polícia czarista, as guardas e o pequeno setor do exército que não se juntou ao povo imediatamente. Mais de 2.000 pessoas foram mortas e feridas, apenas em Petrogrado. Os trabalhadores russos compraram a liberdade do nosso país a custo de seu sangue.

As reivindicações dos trabalhadores eram: pão, paz e liberdade.

Pão, pois, como em quase todos os outros países envolvidos nessa guerra entre ladrões, o povo está passando fome.

Liberdade, pois o governo czarista, se aproveitando da guerra, finalmente transformou a Rússia numa grande prisão.

Paz, pois os trabalhadores russos, como trabalhadores que têm consciência de classe em todos os outros países, não querem continuar morrendo pelos interesses de um punhado dos ricos, não querem continuar essa guerra criminosa, iniciada por saqueadores com e sem coroa.

Aos trabalhadores insurgentes se uniram a maior parte dos homens dos batalhões de Petrogrado e de Moscou. Os trabalhadores e camponeses em uniforme de soldado estenderam uma mão de irmandade aos trabalhadores e camponeses sem uniforme. A parte honesta dos oficiais se juntou à revolução. Oficiais que tentaram ir contra o povo foram baleados pelos soldados.

A revolução foi realizada pelos trabalhadores e soldados. Mas, como foi comum ver eqm outras revoluções, o poder foi imediatamente tomado pela burguesia. A Duma, com sua esmagadora maioria de latifundiários e capitalistas, fez tudo que foi possível para conciliar com o czar Nicolau II. Mesmo no último momento, quando a guerra civil havia tomado as ruas de Petrogrado, a Duma enviou um telegrama ao czar após o outro para fazer pequenas concessões para salvar sua coroa. O czar foi derrubado pelos trabalhadores e soldados insurgentes, não pela Duma, Duma dos ricos e donos de terra. Mas a Duma apontou o novo, Governo Provisório.

Ele consiste de representantes dos capitalistas liberais, grandes latifundiários.

Os postos chave no novo governo foram para o Príncipe Lvov (Um grande latifundiário e liberal ultra-moderado), A. Guchkov (Um aliado de Stolypinl ; ele aprovou julgar os revolucionários em corte marcial). Tereschenko (milionário, rei do açucar), Milyukov (sempre apoiou, e continua a apoiar, a guerra predatória na qual o nosso país foi metido por Nicolau II e sua gangue). O “democrata” Kerensky foi trazido apenas para dar o semblante de um governo “popular”, para servir como animador “democrático”, para fazer discursos pomposos, mas de frases fazias, enquantos os Guchkovs e Lvovs trabalham contra o povo.

O novo governo quer continuar a guerra de rapina. Ele é agente dos capitalistas russos, ingleses e franceses que, como os capitalistas alemães, estão determinados a resolver a situação por meio do conflito e pegar a maior parte do saque para eles. O novo governo não pode dar a Paz à Rússia, e nem quer dar.

Ele não quer passar as terras para o povo, nem quer ele fazer os ricos sentirem o peso da guerra. Por essa razão ele nunca poderá dar o pão ao povo. Os trabalhadores e a população pobre em geral estão sendo forçados a passar fome como antes.

O novo governo consiste de capitalistas e latifundiários. Ele não quer dar à Rússia plena liberdade. Sob pressão dos trabalhadores e soldados insurgentes ele prometeu organizar uma assembléia constituinte para decidir como a Rússia deve ser governada. Mas está atrasando as eleições para ganhar tempo e enganar o povo, como governos similares fizeram várias vezes antes. Ele não quer que a Rússia se torne uma república democrática. Tudo que ele quer é substituir o czar mal, Nicolau II, pelo suposto bom czar, Mikhail.

Ele quer que a Rússia seja governada não por seu povo, mas pelo novo czar junto com a burguesia.

Assim é o novo governo.

Mas junto com ele outro governo está gradualmente se formando em Petrogrado. Os trabalhadores e soldados montaram seu Soviete, com um delegado eleito para cada mil trabalhadores e soldados. Ele se reúne no Palácio Tauride e agora tem mais de 1000 membros. Ele é genuinamente representativo do povo.

O Soviete pode fazer certos no começo. Mas está vindo a pedir, numa voz alta e poderosa, paz, pão e uma república democrática.

O Soviete de Trabalhadores e Soldados insiste na imediata convocação de uma Assembeia Constituinte e participação dos soldados na eleição e na decisão do assunto de guerra e paz. Ele insiste em transferir aos camponeses a terra do czar e dos latifundiários. Ele insiste numa república e não vai aceitar um novo, “bom”, czar. Ele exige voto igual e universal para todos os homens e mulheres. Ele garantiu a prisão do czar e czarina. O Soviete quer apontar um comitê para observaria sobre cada passo do novo governo, e se tornaria de fato o novo governo. O Soviete está trabalhando por uma aliança com os trabalhadores de todos os outros países para um ataque de conjunto aos capitalistas. Muitos trabalhadores revolucionários foram ao front, aproveitando sua nova liberdade, para organizar com os outros soldados por uma ação de frente única para acabar com a guerra, garantir ao povo seus direitos e consolidar a liberdade da Rússia. O jornal Social-Democrático Pravda voltou a ser publicado em Petrogrado e está ajudando os trabalhadores a organizar todas essas grandes tarefas.

Essa, camaradas, é a situação hoje.

Vocês, prisioneiros de guerra, não podem se manter indiferentes. Vocês tem que estar preparados, pois a grande recairá sobre vocês, e talvez bem logo.

Os inimigos da liberdade russa as vezes contam com vocês. Eles dizem : existem em torno de dois milhões de prisioneiros russos; se eles se colocarem ao lado do czar quando voltarem para casa, nós poderíamos colocar Nicolau ou seu “amado” irmão de volta no trono. A história fala de situações onde os inimigos de ontem, tendo feito paz com um czar derrubado, retornam a ele soldados presos para que eles o ajudem a lutar contra seu próprio povo…

Camaradas, quando vocês tiverem a oportunidade de discutir os grandes acontecimentos que tomaram nosso país. Declarem em alto e bom som que vocês estão ao lado da maioria dos soldados russos, que vocês não querem um czar, que vocês exigem uma república livre, uma transferência da terra, sem indenização, aos camponeses, uma jornada de oito horas diárias, convocação de uma Assembleia Consituinte. Declare que você está do lado do Soviete de Soldados e Trabalhadores, que ao retornar para a Rússia, você não estará com o czar, com os latifundiários e os ricos, mas contra eles.

Organize quando tiverem a chance, tomem resoluções apoiando essas reivindicações, expliquem aos seus camaradas mais atrasados os significados desses grandes acontecimentos que tomaram nosso país.

Vocês já passaram por tormento suficiente antes, durante a guerra, e agora como prisioneiros de guerra. Agora avançamos para dias melhores. Roumpeu-se a aurora da liberdade.

Voltem para a Rússia como um exército de revolucionários, como um exército do povo, não um exército do czar. Em 1905, também, os prisioneiros voltando do Japão era melhores combatentes da liberdade.

Quando voltarem para casa, vocês irão para todos os lados do país. Vocês devem levar uma mensagem de liberdade para cada canto remoto, para cada vilarejo russo que sofreu tanto com a fome, impostos e humilhação. Iluminem seus irmãos camponeses, expulsem a ignorância dos vilarejos, chamem o campesinato pobre a apoiar os trabalhadores da cidade e do país na sua luta gloriosa.

Tendo ganho a República, os trabalhadores russos irão se unir com os trabalhadores de todos os outros países e, de maneira ousada, levarão toda a humanidade ao socialismo, um sistema onde não existirão nem pobres, nem ricos, e onde, um punhado dos ricos não serão mais capazes de converter milhões em escravos do trabalho assalariado.

Camaradas, na primeira oportunidade voltaremos à Rússia para nos unirmos aos nosso irmãos, os trabalhadores e soldados, na sua luta. Mas na Rússia, também, nós não nos esqueceremos de vocês. Da Rússia livre tentaremos mandar livros, jornais, e notícias do que se passa em nosso país. Nós exigiremos que vocês recebam quantidades adequadas de comida e de dinheiro. E nós diremos aos trabalhadores e insurgentes: vocês podem confiar nos seus irmãos sofrendo nos campos de prisioneiros; eles são filhos do povo e marcharão ombro a ombro com vocês na batalha pela liberdade, por uma república e contra o czar.

16 de novembro de 1917

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