8 e 15 de março: professoras são chamadas a dar uma lição

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Em um quadro de refluxo geral da luta dos trabalhadores nos últimos anos, os trabalhadores da Educação têm se destacado na mobilização por suas reivindicações.

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Essa situação é resultado de que os orçamentos públicos da Educação, que cresceram significativamente por conta das lutas das últimas décadas, se tornaram – cada vez mais -um dos principais alvos dos ataques dos grandes monopólios capitalista e de suas máfias políticas que controlam o Estado brasileiro. Em um quadro de dependência cada vez maior dos defensores da “livre iniciativa” dos recursos do Estado, estes buscam arrochara salários, “economizar” nos gastos com os alunos, deixar as escolas caindo aos pedaços  etc. para defender seus ganhos. E as educadoras e educadores reagiram, ainda que contidos pela situação de refluxo geral e pela política conciliadora de suas direções sindicais.

O avanço da política golpista agravou com nunca a situação. Da manutenção precária das escolas, os governos patronais passaram à política de fechamento de milhares delas, à superlotação crescente das salas de aulas, demissão de professores, contratação cada vez mais precária de professores, terceirização dos serviços escolares, privatização das verbas da Educação – seja através do repasse direto para grupos privados, seja por meio da aquisição de serviços de empresas privadas – etc.

Para garantir este retrocesso, os governos investiram na repressão, diretamente às mobilizações de professores e estudantes ou indiretamente, por meio de imposição de políticas reacionárias de censura e cerceamento da atividade docente, como é o caso dos projetos como o “escola sem partido”.

O golpe de estado, derrubando a presidenta eleita pela maioria do povo brasileiro (incluindo o voto majoritário das professoras), se mostrou um passo decisivo no aprofundamento dessa política já avançada em vários estados, de ataque sem tréguas contra o ensino público.

Os professores reagiram. Fizeram as maiores greves contra os governos golpistas (como SP, PR, GO, DF, PE etc.) e tiveram papel de destaque na luta contra o golpe, desmascarando – por meio de suas lutas – que as verdadeiras intenções dos golpistas não eram a propalada “luta contra a corrupção”, mas a imposição de uma política de terra arrasada contra a maioria do povo e a economia nacional, com se via na política de fechamento de escolas e ataques as educadores e à juventude em todos esses estados.n congresso nacional etc.

Em poucos meses do governo golpista, ficou ainda mais evidente que a destruição do ensino e de todos os serviços públicos estão entre os planos do regime que avança em direção a uma ditadura.

Os golpistas impuseram o congelamento dos gastos públicos por 20 anos (PEC 55); cortaram o comprometimento de verbas oriundas dos ganhos com o petróleo do pré-sal para a Educação, aprovaram um “reforma” destruidora do ensino médio (e preparam uma outra para  ensino fundamental), estão preparando a liquidação das aposentadorias dos professores e de todos os trabalhadores e ainda querem impor a destruição da CLT para impor jornadas de até 12 horas e o fim de todos os direitos conquistados por meio da luta dos trabalhadores em mais de um século.

As mulheres, em ampla maioria entre os trabalhadores da Educação, são o setor mais atingido por estes ataques. Os cortes nos gastos públicos vão conter o tímido crescimento do número de vagas nas creches, destruir ainda mais a já combalida Saúde pública. Os golpistas querem acabar com a diferença no tempo para aposentadoria das mulheres (e dos professores), estabelecendo 65 anos de idade e 49 anos de contribuição cm condições. A onda repressiva contra as mulheres não para de crescer por parte do regime machista que se impôs com a derrubada da primeira mulher eleita presidenta da República no País. No governo golpista “não há vagas para as mulheres” ou lhe são reservadas papéis secundários e de submissão à política ditadas pelos homens reacionários que colocam o País à serviço dos interesses do imperialismo.

Neste dia 8 de março, Dia Internacional de Luta da mulher trabalhadora, a categoria feminina dos trabalhadores da Educação vai às ruas. Além do importante protesto geral contra o golpe e contra os ataques às mulheres e ao ensino público está em questão (inclusive com a realização de importantes assembléias de sindicatos fundamentais como a APEOESP, SINPEEM, APP, SINPRO-DF e outros) referendar a decisão de realizar uma greve nacional da Educação, a partir de 15 de março, conforme aprovado no Congresso Nacional dos  Trabalhadores da Educação, realizado em janeiro passado, em Brasília.

Esses acontecimentos dão ao dia 8 de março, o caráter de dia de luta da sua origem, no começo do século passado.

As professoras, estão portanto, chamadas a dar uma lição de luta, em defesa das suas condições de vida e de trabalho. Em defesa do ensino público e gratuito (para o que é preciso chamara para a luta os estudantes, pais e mães, estas principalmente). Contra o golpe que destituiu uma mulher da presidência para oprimir ainda mais milhões de mulheres e todo o povo brasileiro.

Esta lição não pode ser dada apenas nas salas de aulas. As professoras, funcionárias e os homens que “completam” o quadro feminino  da Educação, precisam sair às ruas, “balançar o coreto” do golpe e convocar à juventude e toda a classe trabalhadora a uma luta unitária contra o golpe, pela anulação do impeachment e pelas reivindicações dos explorados contra a ofensiva dos golpistas contra o povo brasileiro, na qual a greve geral é um pass decisivo.

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