Liberdade de mercado; escravidão da mulher

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Para os liberais, a liberdade de mercado se identifica com a liberdade em si. O grande problema está na concepção de liberdade.

Rascunho automático 67

E a concepção de liberdade dos liberais é semelhante àquela que os animais desfrutam na selva. Liberdade para o leão ser predador e os antílopes serem as presas.

A mulher já começa a competir com desvantagem em relação ao homem. Ela engravida e, historicamente, está presa ao lar e numa posição de submissão em relação ao homem.

Assim, em primeiro lugar, os liberais procuram justificar a diferença salarial entre homens e mulheres com argumentos como: elas trabalham menos, “escolhem” profissões menos perigosas, mal remuneradas e por aí vai.

Nenhuma palavra sobre o fato de que  elas têm uma dupla jornada, no trabalho e em casa e que são de fato as responsáveis por criar os filhos. Nenhuma palavra também sobre o fato de que enquanto uma mulher precisa abrir mão de ter filhos para avançar na carreira, o homem pode confortavelmente ter sua carreira, seus filhos e não ter que se preocupar com o trabalho doméstico. E, obviamente, nada é dito também a respeito de que para manter as coisas desse modo, com a mulher escravizada em casa para que o homem possa continuar dominando os cargos de chefia e comando, as mulheres são estimuladas desde pequenas a querer cuidar de crianças e da casa, e não a desenvolver o intelecto ou explorar o mundo.

Mas as desvantagens reais não contam para os liberais, que procuram explicar tudo pela necessidade do mercado e não das pessoas.

Por que não substituir a pena em relação ao empregador por uma proposta de que a humanidade pare de ter filhos ou de que o homem também possa engravidar? Porque não é realista. O que significa que do ponto de vista liberal a mulher está condenada a ser cidadã de segunda classe para até o fim dos tempos.

Mas o pior é que a doutrina liberal, em especial a neoliberal, não para por aí. Não contentes em justificar a opressão da mulher, levam adiante uma política que, uma vez executada, só pode agravar a situação já bastante desfavorável da mulher na sociedade.

Como João Dória já está fazendo na cidade de São Paulo e como a direita procura fazer em todo o país, os liberais propõem a privatização de todos os serviços que hoje são públicos. Isso significa fim das creches, da escola pública, da saúde gratuita, da licença maternidade e de todos os benefícios que o Estado possa conceder; medicamentos gratuitos, vacinas (por que não?), merenda, e por aí vai. Se Dória já cortou o leite das crianças nas escolas municipais e chegou a suspender as vans que levavam as crianças à escola, ele é capaz de tudo.

E como fica a mulher trabalhadora, que representa a maioria das mulheres do país, sem nenhum auxílio do Estado? A sua situação simplesmente se tornará insustentável. Sem emprego, ou com um emprego mal remunerado, tendo que cuidar da casa e dos filhos sem nenhuma ajuda. E ai dela se abortar! Vai presa e pouco importa se deixou para trás outros três ou quatro filhos desamparados.

O aprofundamento da política neoliberal significa igualmente o aprofundamento da escravidão da mulher.

A única verdadeira liberdade que os tais liberais defendem é a do capitalista para fazer o que bem entender para garantir seu lucro, mesmo que isso implique no sofrimento e escravidão da esmagadora maioria da população.

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