Censura à Folha de S.Paulo – existe liberdade de imprensa?

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Juiz estipula multa de R$500 mil por dia se jornal não retirar matéria sobre a esposa do golpista

Rascunho automático 67

Marx dizia, em uma de suas obras, que só haverá liberdade de imprensa no dia em que o jornalismo deixar de ser uma profissão. É um fato. O jornalista recebe dinheiro para escrever e escreve aquilo que seu patrão quer que ele escreva.

É comum ouvirmos esses profissionais dizerem que a Globo (ou um outro órgão qualquer) lhe dá, ou lhe deu, sempre liberdade de investigar e publicar aquilo que ele próprio quisesse. Fantasia. Nem a própria Globo (ou outro órgão qualquer) tem essa liberdade.

A imprensa no Brasil é escrava do jornalismo internacional, de quem compra notícias. Como a maioria dos órgãos de imprensa não tem dinheiro suficiente para manter jornalistas em todas as partes do mundo, apela para as agências internacionais de notícias, e compra a notícia e a foto acompanhadas das devidas interpretações. Para comprovar isso, basta ver como coincidem os textos publicados nos diversos jornais.

Além disso, todas as agências de notícias, bem como todos os jornais do mundo devem satisfação a seus anunciantes, o que serve como um limite à liberdade de expressão. Mas, sobretudo, nenhum veículo de comunicação tem força suficiente para enfrentar um governo forte. Quando o governo é fraco, os meios de comunicação tramam para derrubá-lo, como ocorreu com o governo e Dilma Rousseff. Quando o governo é forte, ou patrocinado pelo imperialismo, a imprensa é débil para incomodá-lo. De fato, quanto mais tirânico for um governo, menos a imprensa terá como enfrentá-lo. Portanto, essa história de que o papel da imprensa é fiscalizar o governo, é conversa mole pra boi dormir.

Contudo, o fato de a liberdade de imprensa ser uma fantasia não significa que se deva ser contra a liberdade de imprensa. E o que acontece no Brasil é que um governo titubeante, ainda que com o apoio da burguesia, busca censurar a imprensa. É uma consequência do que vem acontecendo no meio jurídico brasileiro, em que o judiciário interfere, de maneira inconstitucional, nos outros poderes. Interfere no executivo, impedindo o executivo de nomear ministros; interfere no legislativo, cassando deputados e senadores, determinando quem pode e quem não pode ser presidente do Senado, etc. E interfere, também, na imprensa, uma espécie de quarto poder.

Com essa ditadura do judiciário, o poder mais conservador do Brasil, a fantasia da liberdade de imprensa revela-se, cada vez mais, como aquilo que ela sempre foi: uma simples fantasia.

Quando o judiciário impõe uma multa de R$500 mil para que um jornal não publique um escândalo envolvendo a presidência da República, isso significa que, se o jornal insistir, será riscado do mapa. Não pela força das armas, mas pela força do dinheiro.

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