Reforma do Ensino Médio: Aprovado avanço na destruição do ensino público

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O Senado aprovou Medida Provisória, encaminhada pelo governo golpista de Michel Temer  que impõe para 2018 a chamada reforma do ensino médio. A MP foi adotada sem qualquer debate com as organizações de professores e estudantes e representa mais uma iniciativa  da direita de atacar o ensino público, retirando disciplinas e abrindo espaço para a privatização da Educação.

Rascunho automático 67

A reforma estabelece que o ensino médio seja dividido em cinco áreas diferentes, linguagens, matemática, ciências da natureza, ciências humanas e formação técnica profissional. As escolas não serão obrigadas a oferecer as cinco áreas. De acordo com a medida, os colégios podem optar por apenas duas matrizes.  A proposta torna também as disciplinas de Sociologia, Filosofia, Artes e Geografia não obrigatórias, estas passariam a ser ministradas de forma “diluída” durante os anos do curso. Na realidade ao sinalizar que tais matérias serão “diluídas”, o governo está abrindo caminho para a extinção que dessas disciplinas, o que  gerará a  demissão de milhares de professores.

A reforma também permite que profissionais de outras áreas, sem diploma específico, possam dar aula no ensino médio, um outro ataque aos professores, à formação da categoria e a qualidade do ensino, fato que também irá deixar milhares de educadores fora da sala de aula.

A medida  estabelece ainda o ensino integral nas escolas. Sem condições mínimas de infraestrutura, falta de materiais básicos e até de alimentação, os colégios do país se tornaram verdadeiros depósitos de jovens e crianças. Vale lembrar ainda que muitos dos jovens da escola pública trabalham e não tem condições de permanecer o dia inteiro na escola. Para piorar ainda mais, o projeto acaba com obrigatoriedade do ensino noturno, tudo isso irá aumentar de forma exponencial a evasão escolar, o abandono do estudo.

As propostas do governo golpista, no entanto, não afetam o ensino privado, este permanecerá nos moldes atuais. Fica claro, portanto, que a intenção da direita é, na realidade, acabar com ensino público. Para os golpistas, os filhos da classe trabalhadora devem ter o mínimo de educação possível, o foco no ensino profissionalizante e a diminuição de disciplinas é uma forma de tornar o jovem pobre uma mera mão de obra a ser ofertada para os capitalistas.

A medida procura estimular, os que possam pagar (cada vez um número menor), a  recorrerem às escolas privadas, algo impossível para a quase totalidade dos estudantes da escola pública, filhos e filhas da classe trabalhadora que dependem da escola pública para ter acesso à educação.

A reforma é um ataque ao direito à educação pública, é uma violência contra juventude pobre. Representa a exclusão do ensino à  milhares de estudantes. Significa a demissão de milhares de professores, além de ser um atraso sem precedentes para o país.

Nesse sentido, é preciso impulsionar a luta e a mobilização da juventude, dos estudantes e dos educadores contra a proposta e contra o golpe de estado em curso.

É preciso intensificar nas escolas a campanha a favor da greve nacional da educação, aprovada no último congresso Nacional da CNTE e que deve ser aprovada no próximo dia 8 de março em Assembleias de professores por todo país. Somente a mobilização dos professores, junto aos estudantes e a comunidade escolar pode derrotar o avanço golpista sobre a educação.

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