Lula em silêncio seria comício da direita

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Sábado (4), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva velou sua esposa, a ex-primeira-dama Marisa Letícia, em São Bernardo do Campo. Ao fim do velório, Lula discursou durante vinte minutos para uma multidão que esteve presente no evento em solidariedade com o ex-presidente.

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Em seu discurso, Lula denunciou a perseguição política perpetrada pela direita contra Marisa: “Na verdade, Marisa morreu triste. Porque a canalhice que fizeram com ela, a imbecilidade e a maldade que fizeram com ela, eu vou dedicar [Lula não encerrou a frase]. Eu tenho 71 anos, não sei quando Deus me levará, acho que vou viver muito, porque eu quero provar que os facínoras que levantaram leviandade com a Marisa tenham, um dia, a humildade de pedir desculpas a ela”.

Lula também lembrou a participação de Marisa na construção do PT, apontando que hoje a direita quer destruir o partido. Por conta de sua denúncia contundente contra os golpistas durante o velório, a direita começou a atacar o ex-presidente. O senador Ronaldo Caiado (DEM-GO), por exemplo, acusou Lula de “profanar a própria viuvez” por “tentar politizar” o velório. A acusação é repetida por outras figuras desclassificadas e por coxinhas nas redes sociais. Segundo essa gente, Lula teria “politizado” o velório e isso seria errado.

Trata-se, mais uma vez, de um discurso cínico de direita. Para Lula “politizar” o velório de Dona Marisa o velório teria que não ter nenhuma relação com política. Não era o caso. Por ser cônjuge do ex-presidente Lula, perseguido pela direita golpista, Marisa teve sua casa invadida pela PF às 6h da manhã, teve seus objetos pessoais revirados, objetos pessoais confiscados, teve conversas telefônicas pessoais grampeadas e divulgadas na imprensa, viu seu marido e filhos colocados sob pressão e foi tornada ré no processo da Lava Jato por ter visitado um apartamento. Foi sob a pressão desses acontecimentos, entre outros, que a ex-primeira-dama sofreu um AVC que terminou sendo fatal. Um AVC sofrido sob os métodos de tortura da Lava Jato. Sua morte foi uma morte política, aconteceu sob a política golpista da direita. O velório de uma perseguida política só poderia ser político.

Portanto, o evento já estava “politizado” de qualquer forma. O que deixou a direita enfurecida foi o fato de Lula não ter adotado a política que a direita quer para Lula: calar-se. Caso Lula tivesse ficado quieto, sem denunciar a perseguição política contra ele e contra sua esposa e a tentativa de destruir seu partido, a direita ficaria satisfeita. Como Lula não adotou a política da direita, é acusada de ter feito política, já que a política da direita não é política, segundo a própria direita. O fato é que o silêncio de Lula teria sido conivente com a perseguição que ele mesmo sofre e que Marisa Letícia sofria. O silêncio de Lula teria sido um comício da direita no velório de sua própria esposa. É essa política que a direita tenta apresentar como algo que não seria uma política, para acusar Lula de ter “politizado” um velório.

Não é uma novidade para a direita tentar apresentar sua política como se não fosse política. Se a direita formulasse sua política concretamente, isso seria um problema para a própria direita. Seria um problema impulsionar o golpe, por exemplo, sob a palavra de ordem “fim das aposentadorias!”, de modo que a direita adotou um ataque ao PT e contra a política para impor o fim da aposentadoria sob a cobertura do combate à corrupção. Em 2013, durante o sequestro pela direita dos protestos motivados pela repressão da PM de Geraldo Alckmin, os coxinhas diziam ser contra todos os partidos para expulsar os partidos de esquerda das ruas e esvaziar os protestos, que definhariam até desaparecer. Novamente, diziam ser contra a política para fazer a política da direita. E assim por diante, com uma série de outros exemplos. Vale mencionar mais um: a “austeridade” fiscal, apresentada como uma fatalidade natural e uma necessidade, e não como uma política da direita.

Lula fez exatamente o que deveria ter feito. Não adotou a política da direita e não ficou em silêncio. Denunciou a perseguição política contra ele e contra sua família. Perseguição política que está diretamente relacionada à sua perda familiar. Diante disso, a direita adotou a sua política para a situação: encontrar pretextos para atacar Lula pessoalmente. Já que Lula não se calou, tentam abafar o que ele disse. É uma continuidade da política de tentar silenciá-lo. Essa é a política da direita relativa ao velório que eles dizem que não poderia ser “politizado”. A verdade é que antes do velório, assim como durante e depois, a direita teve o tempo todo a sua política. A acusação contra Lula não passa de cinismo, para atacar Lula, a direita está politizando a morte de sua esposa até agora. Em pleno luto, Lula está sob intenso assédio dos golpistas.

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