Os educadores, o ministro Teori e a imprensa golpista

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Nos últimos dias, dois (de muitos) acontecimentos são exemplares da conduta da imprensa capitalista no País diante do agravamento da crise econômica e política, que – por sua vez – expõe a total perda de controle da situação por parte do regime nascido do golpe de Estado que derrubou a presidenta Dilma Roussef.

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No dia 15 passado, chegou ao final o Congresso Nacional dos trabalhadores da Educação (do ensino básico), organizado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE), a maior organização sindical de uma só categoria (menor apenas que a CUT), representando cerca de 3,5 milhões professores e funcionários de escolas das redes públicas de todo o País (dos quais 1,5 milhão filiados às entidades vinculadas à Confederação).

O congresso foi importante não apenas pelo tamanho e relevância da categoria, mas pelo fato de que adotou resoluções que apontam no sentido de uma intervenção independente do conjunto do movimento operário diante da crise atual. Destacademete: a decisão de que é preciso enfrentar o golpe de Estado e os ataques do governo golpista (como a liquidação da CLT e das aposentadorias) por meio de uma mobilização geral dos trabalhadores. Assim o congresso aprovou uma greve nacional dos trabalhadores da Educação, a partir de 15 de março e o chamado à CUT e demais organizações de luta dos explorados (contrárias ao golpe) à realização de uma greve geral.

Esta decisão, não ecoou nas páginas da venal imprensa burguesa. O Congresso  (que não existiu na TV) só ganhou algum destaque nas suas página e sites da imprensa controlada por meia dúzia de monopólios quando meia dúzia de sindicalistas do PSTU-Conlutas fizeram o papelão de virarem as costas para  ex-presidente Lula que realizava Conferência, no primeiro dia do encontro, e recebia majoritária solidariedade dos milhares de presentes contra a sua perseguição e tentativa de pisão por parte do regime golpista. A imprensa golpista “não viu” que esses lunáticos “coxinhas com catchup” – como foram apelidados no encontro – foram enxotados do plenário e procuraram dar à atitude isolada destes poucos elementos (que não foi compartilhada nem mesmo pelos vários minúsculos que integraram “sua”  chapa no Congresso, que obteve menos de 10% dos votos) a dimensão de um verdadeiro racha no encontro, o que nem de longe existiu. Como assinalamos então, não faltou espaço e esforços da Veja, Globo, Estadão, Folha etc. para apoiar e divulgar a atitude de seus “amiguinhos”  do PSTU.

Em uma clara falsificação o congresso anti-golpista e com propostas de luta contra o regime apoiado pela imprensa golpista, foi transformado em um congresso dividido entre aliados da luta contra o golpe e contrários a prisão de Lula, por uma lado, e apoiadores da política de Moro que defendem a prisão de Lula, como é o caso do PSTU, que na sua tese final do Congresso escreveu, concordando com a o chefe da República do Paraná e com toda a direita golpista que Dilma caiu por conta da suposta corrupção excessiva do PT e dos seus governos e defenderam claramente a tese de que não houve golpe.

A “imparcialidade” dessa mesma imprensa fica comprovada também no caso da morte do ministro do STF, Teori Zavascki, no último dia 19, em condições muito, mas muito suspeitas, mesmo.

Como no caso da justiça golpista, que é “cega, mas enxerga quando quer”, a imprensa ocultou o quanto pode as condições nada comuns da morte do magistrado; tratou de minimizar as suspeitas de que tenha sido assassinado;  retardou a divulgação de o amigo que o acompanhada estava entre os delatados na operação Lava jato e vários esquemas de corrupção;  anunciou como “desconhecidas” as acompanhantes daquele para quem só faltaram propor a canonização  (são depois anunciaram que se tratavam de “acompanhantes”, “massagistas” etc.). E ainda aproveitaram, como sempre, para fazer campanha em defesa de suas posições reacionárias de maior endurecimento do regime golpista ou, simplesmente, desviar o foco do gravíssimo acontecimento para outro foco de crise do regime golpista, pedindo intervenção das Forças Armadas nos presídios, para muitos uma forma de “treino” para uma possível nova fase do golpe, diante do fracasso total e retumbante da fase atual e de outras em debate, como a eleição de um presidente biônico pelo arqui-corrupto e reacionário Congresso Nacional.

Em sua “insenção” a imprensa golpista – com uma certa ajuda, bem mais ampla que a mãozinha do PSTU,  – anunciou o “santo Teori” como um exemplo de imparcialidade e tecnicidade quando – como reconheceu Sérgio Moro – o mesmo foi peça-chave na operação golpista da Lava Jato. Sendo, inclusive, o responsável direto por manter no comando da Câmara (até depois da aprovação do impeachment) do deputado golpista Eduardo Cunha.

Ta situação evidencia, não apenas o desespero da imprensa e de toda a direita golpista, cujos planos “salvadores” estão naufragando e, de certa forma, fomentando o caos, ameaçando levantar o País contra eles.

A esquerda, todo o movimento operário e os explorados e suas organizações de luta de um modo geral, precisam ter uma política independente, ou seja, que nã seja repetir e acompanhas as “saídas” da direita,  para intervir na crise.

É preciso não fazer como a direita que, adota uma política que lana mão de velhas armas, enferrujadas, como a defesa da intervenção militar ou das Diretas (encampando por Ronaldo Caiado, do DEM e outros).

Não há caminho. É preciso fazer o caminho, caminhando. O caminho era e continua sendo o da mobilização o da derrota do golpe pela reação popular. Para isso, é preciso uma política e uma orientação que se contraponha à aceitação do regime golpista como é o caso da luta pela anulação do impeachmetn, da defesa do retorno da presidente eleita pela maioria do povo brasileiro para presidir o País até 2018 e a revogação de todos os medidas do governo golpista.

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