Vestir a Globeleza é passar “maquiagem em porco”

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A rede Globo anunciou sua tradicional vinheta “Globeleza” do carnaval brasileiro na segunda feira, 9. A mesma coisa de sempre, com uma única diferença: a modelo e dançarina que representa a “Globeleza” esse ano não está sambando nua, “coberta” apenas com pinturas no corpo, mas está vestida.

Rascunho automático 67

A notícia é banal. Todos os anos tem “Globeleza”, que é a forma que a rede Globo encontrou para fazer propaganda do carnaval e usar a festa mais popular do País para encher os cofres da emisora. O fato de ela estar vestida ou não também é uma banalidade. Talvez seja uma indicação de que o avanço da direita golpista conservadora, da qual a Globo é a maior expoente, está tornando tudo mais “recatado e do lar”. Mas é difícil de saber o exato motivo para a decisão de vestir a Globeleza.

O que mais chamou a atenção, no entanto, apesar dessa banalidade, não foi a comemoração dos conservadores evangélicos ou os religiosos em geral, mas sim da esquerda pequeno burguesa que, incrivelmente, aplaudiu o fato de a emissora que apoiou o golpe no Brasil ter supostamente se “curvado” diante da luta feminista e do “empoderamento” das mulheres em geral, mas em especial da mulher negra.

As opiniões sobre o fato são totalmente distantes do mundo real. Alguns esquerdistas comemoraram “os novos tempos”, que “parece que a emissora percebeu que o futuro chegou” , e “que 2017 vai ser um ano bom, quando a vinheta da globeleza se tornou algo bem cultural e sem a necessidade de exposição feminina”. A roupa da Globeleza é mais importante do que, por exemplo, o massacre do povo negro nas penitenciárias e nas favelas e a exploração cotidiana da mulher.

A mesma rede Globo que cobre a Globeleza é a que incentiva e apressa PECs e propostas do governo golpista de Temer, que retira o bolsa família, aposentadoria, cotas e saúde pública de várias mulheres negras e da classe trabalhadora. Isso sim é se curvar ao “empoderamento feminista”.

A comemoração pela iniciativa “feminista” da rede Globo revela que a ideologia da esquerda pequeno-burguesa é uma adaptação ao que diz a imprensa golpista, que por sua vez reproduz a propaganda imperialista. Para a esquerda pequeno-burguesa, que diz defender as mulheres, os negros e os LGBTs, não se trata de lutar por direitos e travar uma luta política contra a direita reacionária que impõe um regime de terror contra a população mais oprimida. Para essa esquerda, basta “vestir” a Globeleza, ou mostrar um beijo gay na novela, mesmo que quem faça isso seja a principal disseminadora da ideologia mais reacionária no País: a rede Globo.

O ano, na realidade, começou mal. Logo na passagem do ano ocorreu uma chacina em Campinas, que vai na contra mão da comemoração otimista da esquerda pequeno burguesa. Um homem assassinou toda sua família, suas vítimas foram na maioria mulheres, e em sua carta de suicídio, ele demonstrava uma total frustração política e social e assim uma influência da mentalidade da extrema-direita. Em um país sob o controle da direita, mais casos como esse acontecerão quase que constantemente, pois a extrema-direita tem capitalizado a frustração de uma camada da sociedade e feito vítimas.

O golpe e as consequências políticas, econômicas e sociais dele vão abrir mais o caminho para esse tipo de mentalidade, e como ficou claro no caso de Campinas, as primeiras vítimas serão as mulheres, os negros (como as chacinas nas penitenciárias), os pobres (como Luiz Ruas, morto por fascistas no metro no dia de Natal), ou seja, as classes e grupos oprimidos em geral.

A Globo não se importa com a emancipação da mulher negra, ou de todas as mulheres em geral, vestir a Globeleza como se estivesse “cedendo” às pressões dos grupos feministas, como defendeu o site Lado M afirmando que, “Essa mudança, que pode soar tão pequena e insignificante aos olhos dos nulos, na verdade é mais uma das conquistas do protesto feminista: uma dançarina vestida em rede nacional tem muito mais poder do que se pode imaginar. (…) pois mesmo os grandes meios de comunicação e as grandes mídias estão sujeitas, cada vez mais, ao nosso poder de ditar as regras“, é pura demagogia.

Essa iniciativa da rede Globo golpista, no mundo real não tem importância nenhuma, não é nada além de “passar maquiagem em porco”, ou seja, não adianta disfarçar, a Globo pode fazer o que for, mas continuará sendo conservadora, reacionária e golpista. A direita e a grande imprensa não estão sujeitas a nada. A imprensa capitalista tenta comprar os desavisados com o discurso de “empoderamento”, ao mesmo tempo que esmaga as minorias, toda a classe trabalhadora, e o povo negro, apoiando o golpe, e instigando uma  ideologia de extrema-direita. Fazendo propaganda de figuras como Jair Bolsonaro e outros, que em tempos de crise social e política crescem e se espalham na sociedade.

A rede Globo vestiu a Globeleza para cobrir e esconder que é ela a principal defensora do golpe e de toda a política que visa esmagar os trabalhadores, a mulher, os negros. A esquerda pequeno burguesa, que está aí para seguir a mentalidade conservadora, caiu como um patinho na armadilha da Globo.

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