A esquerda pequeno-burguesa fala contra o encarceramento em massa, mas quer aumento de crimes e penas

Compartilhar:

Os episódios de selvageria dentro dos presídios no Amazonas e em Roraima, somando mais de 100 presos mortos, trouxe à tona novamente o problema da política repressiva e do encarceramento em massa promovido pelo Estado capitalista como forma de terror contra a população pobre e negra do País.

Se de um lado os massacres no sistema prisional revelaram o fracasso dessa política da direita, política esta que é a causa dos problemas graves que acontecem nas penitenciárias brasileiras. Do outro lado, o caso trouxe à tona também a hipocrisia da esquerda pequeno-burguesa.

Parte dessa esquerda sequer mencionou o ocorrido. É como se não tivesse nenhuma importância o fato de que mais de 100 pessoas, todas elas pobres, a esmagadora maioria de negros, tenham sido brutalmente assassinadas. A pequena-burguesia, e essa esquerda se inclui aí, não dá importância para os problemas do povo, não identifica os interesses dos trabalhadores mais oprimidos com os seus próprios interesses.

Outra parte da esquerda, que se arriscou a falar alguma coisa sobre os massacres, insiste na tese de que o principal problema do sistema prisional é a política de encarceramento em massa. De fato, a repressão contra o povo pobre e negro e a defesa de que se tenha uma política dura contra a população é o que leva ao encarceramento em massa e por consequência ao caos instaurado nos presídios. Superlotação, péssima estrutura, péssimas condições de vida resultam nos massacres. O tratamento desumano recebido pelos presos só pode causar uma resposta igualmente bárbara por parte destes.

O problema, no entanto, revelou outra característica da esquerda pequeno-burguesa: a incoerência e hipocrisia de suas posições políticas. A denúncia do encarceramento em massa para essa esquerda é apenas um argumento de ocasião diante do horroroso acontecimento nos presídios do Norte do país. Essa denúncia não faz parte da política fundamental da esquerda pequeno-burguesa.

A política da esquerda pequeno-burguesa de praticamente todos os matizes tem como base de sua atuação hoje a ideia de que é preciso que o Estado aumento a repressão e as penas. Por exemplo, no caso dos LGBTs, a principal reivindicação dessa esquerda é transformar a homofobia em crime, ou seja, aumentar o poder do estado de prender o indivíduo.

Recentemente, diante do escândalo produzido pela própria burguesia por conta do estupro coletivo de uma jovem no Rio de Janeiro, a esquerda saiu na frente pedindo o aumento das penas para o estupro. A esquerda parlamentar, PT, PSOL e PCdoB, propuseram e votaram a favor do endurecimento das leis.

Para a esquerda pequeno-burguesa não se trata de defender os direitos democráticos reais da população e de todos os setores oprimidos. Bastaria, para ela, que o Estado capitalista, essa máquina de opressão do povo, aprovasse uma lei aumentando a repressão. O problema do negro, da mulher, dos LGBTs seria resolvido simplesmente aumento as penas.

Rascunho automático 67

Era como se o Estado e seus aparelhos de repressão não existissem justamente para reprimir o setor menos favorecido da população. A ilusão dessa esquerda pequeno-burguesa nas instituições capitalistas chegou ao extremo. Sua política é a mesma da direita que quer colocar todo mundo na prisão, com a diferença moral esquerdista de que é “tudo em nome da defesa da mulher, do homossexual e do negro”.

artigo Anterior

9 de janeiro de 1822 – Dom Pedro I se recusa a voltar para sua terra natal, no histórico “Dia do Fico”.

Próximo artigo

A chacina de Campinas e a ideologia da direita golpista

Leia mais

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: