Isso sim é “populismo”

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O primeiro dia de “trabalho” dos prefeitos eleitos para começarem os mandatos de 2017 até 2020 chamou a atenção por dois fatos amplamente divulgados pela imprensa.

Rascunho automático 67

O primeiro e mais esperado era que as prefeituras já começam o ano cortando gastos. Essa é a exigência número um dos golpistas. A palavra de ordem é, nada de gastos a não ser para os grandes capitalistas e banqueiros. Os cidadãos que votaram em alguém na ilusão de que sua rua seria asfaltada, pode já se acostumar com pelo menos mais quatro anos – serão 20? – de ruas esburacadas. Os que esperavam melhorias na saúde, então, podem torcer para não ter ninguém da família gravemente doente. O aumento nas tarifas dos transportes também já está nos planos dos prefeitos.

O outro fato que os jornais mostraram à exaustão foi o prefeito eleito de São Paulo, João Doria, vestido de Gari, segurando desajeitadamente uma vassoura nas mãos. Além de demagógica, a cena era ridícula e até um pouco constrangedora para quem via.

A ação de Doria é um típico populismo, mas um populismo meramente superficial, aparente. O interessante é que a direita que elegeu Doria, incluindo obviamente a imprensa golpista, ataca o PT e o “lulismo” por seu anos de “populismo” à frente do governo. Qual seria a diferença de Doria para Lula?

A resposta é bem simples. Para a direita o problema do “populismo” petista não é a maneira como Lula se veste, mas os programas sociais que o PT colocou em prática durante o governo. Por mais limitados que sejam, esses programas sociais, como o Bolsa Família, são atacados frontalmente pela direita. Os editoriais dos jornais golpistas não se cansam de trazer matérias tendenciosas mostrando os malefícios do Bolsa Família, os coxinhas de classe média que nunca pegaram numa vassoura eram levados para as ruas movidos pelo ódio contra o Bolsa Família e outros programas sociais.

Esse é o populismo de Lula que a direita não quer, por motivos óbvios.

Já o populismo de Doria, esse é maravilhoso. E é maravilhoso principalmente porque serve para esconder do povo o que o espera pelos próximos anos: um ataque às suas condições de vida. João Doria, o empresário de milionário não sabe o que é uma vassoura, mas é aliado aos que deram o golpe no País para cortar os gastos públicos por 20 anos, para extinguir os direitos trabalhistas, para destruir a previdência, para acabar com os programas sociais.

Embaixo daquela roupa de Gari está um capitalista, inimigo de pobre e trabalhador, que fará tudo o que for possível para esfolar o povo.

O “Doria Gari” apareceu nos jornais golpistas para disfarçar a outra notícia, mais importante e menos inusitada, que as prefeituras preparam um enorme arrocho contra o povo.

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