“Princípios” sem política e política sem princípios

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O que acontece quando sectarismo e oportunismo andam juntos?

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É a receita para o desastre da esquerda pequeno-burguesa a que podemos chamar “centrista”.

Assim, Psol, PSTU e a miríade de grupos que lhes fazem companhia caminham para o abismo, combinando a mais completa falta de princípios com a defesa ferrenha de “princípios” morais e abstratos que não valem nada para justificar uma política pretensamente “revolucionária”, “socialista” e até mesmo “trotskista”.

Sua (falta de) coerência pode ser resumida em uma frase: total adaptação à política e a moral do imperialismo mundial. É o atestado de uma total falta de programa, isto é, de uma compreensão clara dos acontecimentos políticos e das relações que os determinam no marco da luta de classes.

Assim foi no Egito e na Síria (para citar dois exemplos apenas), quando defenderam (e defendem!) um golpe militar e uma guerra contra o nacionalismo burguês da Irmandade Muçulmana e de Assad.

Assim acontece no Brasil, com o apoio ao golpe de Estado contra o governo do PT, de Dilma Rousseff, à campanha “contra a corrupção” patrocinada pelo imperialismo para justificar o golpe, e à guinada a direita dada no regime político (apoiam o poder do Judiciário, a liquidação dos direitos democráticos em nome da “caça aos corruptos” etc.)

Para definir mais rigorosamente esse fenômeno tomemos emprestada uma caracterização já apresentada anteriormente pelo fundador da IV Internacional (a qual os centristas de todas as cores dizem querer refundar, reconstruir, reorganizar ou mesmo representar), Leon Trótski:

“Se nomeia centrismo à política que é pela sua essência oportunista e que pretende aparecer como revolucionária pela sua forma. O oportunismo consiste na adaptação passiva à classe governante e ao seu regime, ao já existente, incluindo, é claro, as fronteiras entre os Estados. O centrismo compartilha totalmente este traço de oportunismo, porém o oculta, para adaptar-se ao descontentamento dos operários, com comentários radicais”. (A independência da Ucrânia e a confusão sectária, 30 de julho de 1939)

O oportunismo dos defensores “de esquerda” do golpe de Estado, no Brasil e no Oriente Médio, é evidente. Acreditam que vão tirar proveito (eleitoral ou organizativo) da derrubada dos governos do PT, da Irmandade Muçulmana e outros pelo imperialismo. Justificam suas pretensões com um discurso pseudo-revolucionário (depois de Dilma, Temer! Depois de Temer… a revolução!). O centrismo, como diz o próprio Trótski, consiste no ocultamento dessa política de acordo com as conveniências (e inconveniências) da política oportunista em cada momento. Como não enxergar que essa definição do centrismo corresponde exatamente à “política” da esquerda pequeno-burguesa centrista brasileira?

E é justamente porque a ação da esquerda pequeno-burguesa é um elemento de confusão entre aqueles que querem efetivamente lutar pela construção de um partido operário e revolucionário, que o Partido da Causa Operária dedicará sua próxima Universidade de Férias (a 39ª edição!), em janeiro, à discussão de um elemento fundamental para essa tarefa: seu programa. Algo de que os pequenos grupos centristas, sectários e oportunistas carecem completamente.

O combate às tendências oportunistas, centristas e sectárias nas fileiras da IV Internacional, no entanto, é apenas um dos aspectos do Programa de Transição, que será o tema das mais de 10 aulas que serão ministradas por companheiros da direção nacional do PCO entre 14 e 29 de janeiro próximos.

Convido todos os companheiros, militantes e simpatizantes do Partido (e em particular aqueles que começaram a militar recentemente) a participar dessa importantíssima atividade de formação política marxista, a conhecer e estudar profundamente o programa que é a base para a revolução socialista nos dias de hoje.

 

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