Extrema-direita é derrotada por pouco na Áustria

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Neste domingo (4), os austríacos foram às urnas pela terceira vez esse ano para eleger seu presidente. Em maio, o segundo turno foi anulado pela justiça depois que irregularidades na apuração dos votos foram constatadas. Diante de uma diferença de apenas 31 mil votos, o processo teve que ser realizado novamente. As eleições presidenciais na Áustria foram marcadas pela ascensão da extrema-direita, com Norbert Hofer, do Partido da Liberdade da Áustria (FPÖ), quase vencendo o segundo turno em abril. O FPÖ foi fundado por ex-nazistas, em 1949, e seu primeiro líder foi um integrante das SS.

Rascunho automático 67

O vencedor da votação de abril confirmou sua vitória no domingo, dessa vez por uma margem maior, Alexander van der Bellen, do Partido Verde, chegou a 53,6% dos votos. A repetição das eleições foi acompanhada de uma campanha de todos os partidos e da imprensa contra a extrema-direita. Apesar disso, a diferença ainda foi relativamente pequena, e mostra a extrema-direita com grande força na Áustria diante da desintegração do bloco da União Europeia (UE). Como o Brexit na Europa e a eleição de Trump, esse avanço da extrema-direita se dá no marco de uma rejeição ao neoliberalismo, enquanto os grandes partidos tradicionais dos regimes políticos está amarrada a esse projeto.

A crise política do regime na Áustria expressou-se nas eleições presidenciais com os dois partidos na grande coalizão de governo não conseguindo sequer chegar ao segundo turno: o Partido Social-Democrata da Áustria (SPÖ) e o Partido Popular da Áustria (ÖVP). O cargo de presidente é um cargo menos importante no regime austríaco, mas as eleições servem de termômetro para o avanço da extrema-direita e a crise do regime político. Usando o cargo de presidente, Hofer pretendia pressionar pela saída da Áustria da UE.

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