Por que os golpistas querem se livrar do PMDB

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À medida em que o golpe se desenvolve, as diferenças internas entre os golpistas se evidenciam. Interesses da burguesia nacional colidem com os da burguesia ligada ao Imperialismo, como foi visto nessa semana no Congresso Nacional, quando deputados modificaram o projeto das “10 medidas contra corrupção”do MPF. A imprensa burguesa, e os próprios procuradores da operação golpista Lava Jato ficaram contrariados com as modificações feitas pela casa e acusaram todos de barrarem as investigações da operação da Polícia Federal.

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Obviamente que a burguesia está tirando “o dela da reta” ao incluir nas medidas do MPF a lei do abuso de autoridade, ainda mais quando a Lava Jato, para dar prosseguimento ao golpe de Estado está voltando sua mira agora para o PMDB, se aproximando cada vez mais de auxiliares do presidente Michel Temer.

O receio do PMDB, ala ligada à burguesia Nacional, é o que está por vir da delação do empresário Marcelo Odebrecht, preso desde junho de 2015 em Curitiba – e que assinou em conjunto com outros 70 empresários um acordo de delação com a Polícia Federal, que a imprensa golpista de maneira alarmante apelidou de “delação do fim do mundo”.

O primeiro da lista foi o ex presidente da Câmara Eduardo Cunha que, tendo cumprido seu papel no golpe, prosseguindo com o processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff da Câmara para o Senado, foi descartado pelos próprios golpistas e preso pelo juiz “deus” Sérgio Moro. O ex-presidente da Câmara é acusado de corrupção, lavagem de dinheiro, evasão fraudulenta de divisas pela manutenção de contas secretas na Suíça que teria recebido propina do esquema na Petrobrás.

Eduardo Cunha foi cassado em setembro e cedeu espaço a Rodrigo Maia, do DEM, antigo PFL, Partido da Frente Liberal, fundado em 1985, que por sua vez era uma dissidência do extinto Partido Democrático Social (PDS), sucessor da Aliança Renovadora Nacional (ARENA) partido mantenedor da ditadura militar de 1964-1985. Ou seja, um filhote da ditadura militar.

Outras duas prisões que foram amplamente divulgadas pela imprensa foram de Anthony Garotinho e Sérgio Cabral. Cabral é do PMDB e Garotinho está atualmente no PR, mas em 2006, exerceu o cargo de secretário estadual de Governo do Rio de Janeiro e foi presidente do PMDB no estado. Garotinho já foi escolhido como candidato do PMDB à presidência da República.

Sérgio Cabral foi preso preventivamente na Operação Lava Jato da Polícia Federal (sem prazo para ser solto) sob a suspeita de receber propina para fechar contratos públicos. Cabral é alvo de uma operação que apura desvios em obras do governo estadual.  As investigações são em torno de crimes de organização criminosa, corrupção passiva, corrupção ativa, lavagem de dinheiro, entre outros. Garotinho, por sua vez, é acusado de comandar esquema de compra de votos com uso do Cheque Cidadão, acusação que chegou a torná-lo inelegível há dez anos. O programa social do governo Garotinho foi tratado pela imprensa como justificável apenas para corrupção.

Essas operações têm objetivos políticos. Os alvos das prisões e ações da PF estão sendo meticulosamente escolhidos. Não é à toa que agora a Justiça se volte para o PMDB e partidos próximos a ele. O governo golpista está em disputa. A ala que domina o golpe de Estado tem maior controle das instituições, como da Justiça e da PF (ou seja, Sérgio Moro e a Lava Jato), é mais diretamente pró-imperialista e quer impor um governo PSDB-DEM.

Os próximos da lista serão Renan Calheiros e o próprio presidente golpista Michel Temer. O governo golpista de Temer estão sendo cuidadosamente desgastado pela direita golpista e pró-imperialista. As prisões, apoiadas pela imprensa capitalista, de Sérgio Cabral e Anthony Garotinho e a campanha dessa mesma imprensa hipócrita contra o pacote econômico do governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB), deram um novo salto no sentido da política de fortalecimento do setor mais fundamental do golpe.

Isso porque o PMDB representa uma série interesses contraditórios internamente que dificultam que os golpistas coloquem em prática plenamente seus planos. A manobra consiste em promover a queda de Temer, que a partir do ano que vem significa que o próximo presidente será escolhido pelo voto indireto. O nome de FHC aparece, às vezes discretamente, às vezes abertamente, como o preferido da direita golpista.

Renan Calheiros entrou na lista negra dos golpistas ao “bater de frente” com Sergio Moro e seu pacote de medidas anti corrupção. Nessa semana, o Supremo Tribunal Federal o tornou réu na ação que trata do pagamento de pensão a uma filha dele por meio de uma empreiteira. O caso é de 2007 e Renan alegou, por meio de nota à imprensa, que desde então o Ministério Público não teria conseguido comprovar sua culpa.

O escândalo do presidente golpista é tão fútil quanto ao dos outros, porém igualmente divulgado pela imprensa golpista. Michel Temer teria pressionado o ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero para que este liberasse a construção de um edifício de alto padrão em Salvador no qual o ministro Geddel Vieira adquiriu um imóvel.

Toda esta história envolvendo os ministros e Temer, obviamente, pelo menos para os mais esclarecidos e conscientes de que um golpe de Estado está em andamento no Brasil, não passa de uma campanha da cúpula golpista, PSDB, cartel da imprensa, Polícia Federal e Judiciário, para aprofundar o golpe. Agora é vez de rifar Temer e PMDB.

O PMDB, que serviu ao golpe, está sendo rifado porque a direita pró-imperialista precisa fortalecer um governo mais alinhado aos seus interesses. O PMDB é um partido composto por membros da burguesia nacional, de oligarquias locais e políticos mais ligados a banqueiros e grandes capitalistas. As suas próprias contradições internas dificultam de colocar em prática um programa completamente a serviço do imperialismo, o que não acontece – ou acontece em muito menor grau – com o PSDB, um partido diretamente controlado pelos setores fundamentais da burguesia imperialista. O PMDB, assim, acaba sendo um obstáculo para os planos dos golpistas.

O impeachment de Temer não passa de uma manobra golpista na qual a esquerda caiu como um patinho. A perseguição ao PMDB é a campanha sutil pelo PSDB e DEM no poder de todas as instituições e até na presidência de forma indireta. É  a continuação do golpe, um aprofundamento da política golpista para colocar em prática medidas ainda mais restritivas e repressivas, essa é a resposta que explica por que os golpistas querem se livrar do PMDB, querem o fim do PMDB para ter de volta FHC e todas as monstruosidades que o tucano realizou no país durante seu mandato.

Quem viveu que o diga.

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