PCO nas eleições, na contramão da esquerda

Compartilhar:

colunistas rui 3Rui Costa Pimenta

Campanha Financeira 3

Desde o início do processo eleitoral, assinalamos que se tratava de uma armadilha para toda a esquerda e o movimento operário e popular. Eleições em tempo de golpe, vitória dos golpistas.

Apresentamos a política de ter como orientação fundamental a denúncia do golpe de Estado e, logicamente, do processo eleitoral organizado e controlado pelos golpistas.

A atividade eleitoral da esquerda mostrou claramente que, para a maioria, golpe é uma espécie de metáfora política, ou seja, não é um verdadeiro golpe. Isso já tinha sido colocado em evidência pela tentativa de atenuação do impacto da palavra golpe por adjetivos como “palaciano”, “parlamentar”, “institucional”, ou seja, a denominação golpe de Estado não descrevia o fato. Essa confusão levou à reivindicação oportunista de eleições, diretas ou gerais, política esta esconjurada pelo resultado eleitoral.

O resultado eleitoral foi inesperado para a esquerda dominada pela fantasia do golpe de faz-de-conta. Toda a esquerda retrocedeu em número de votos em relação à eleição de quatro anos atrás, com a única exceção do PCO, que obteve um crescimento de 72%.

Um caso notável, que mostra o sentido da crise da esquerda, é enorme retrocesso do PSTU, que perdeu mais da metade dos seus votos, fazendo uma campanha sistemática em defesa do golpe.

O crescimento eleitoral do PCO, uma verdadeira ironia política, no entanto, precisa ser compreendido claramente, porque não representa nenhuma verdadeira vitória da luta pelo voto e sim um fortalecimento partidário que se manifesta apesar das limitações impostas pelas eleições.

Primeiramente, o crescimento deveu-se a um fortalecimento do Partido que nada tem a ver com as eleições, mas com a luta política dos dois últimos anos contra o golpe. Em 2012, conseguimos lançar candidatos em apenas cinco municípios; neste ano, lançamos candidatos em 21 municípios, ou seja, um crescimento de 76%, que poderia ter sido ainda maior não fosse o fato de que a organização para as eleições esteve sempre em segundo plano nas preocupações do Partido durante este período.

O segundo dado é que o voto do partido é muito pequeno e se ressentiu, ainda mais que os demais partidos de esquerda, das enormes limitações antidemocráticas da campanha eleitoral. A campanha eleitoral, em termos de organização para conseguir o voto, foi extremamente precário. O voto do PCO foi, nesse sentido, um voto rigidamente ideológico e partidário sem qualquer sombra de ilusão eleitoral e sem qualquer esforço eleitoral especial.

A conclusão é direta: o PCO vem crescendo desde antes da eleição e apresenta uma perspectiva de fortalecimento que nada tem a ver com ilusões eleitorais, mas justamente ao contrário, está diretamente ligado ao desenvolvimento da luta política contra o golpe. Esta tendência não é particular, mas expressa com clareza o desenvolvimento objetivo, ainda fraco, no sentido da constituição de um Partido Operário independente no Brasil.

artigo Anterior

Estado de alerta contra a prisão de Lula e o golpe

Próximo artigo

Lula: Por que querem me condenar

Leia mais

Deixe uma resposta