Campanha salarial dos bancários: é preciso lutar pela greve geral

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Realizada em São Paulo entre os dias 29 e 31 de julho, a 18ª Conferência Nacional dos Bancários, que aprovou a pauta de reivindicação a ser entregue no próximo dia 09 de agosto para a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos).

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Contando com 633 delegados, na sua maioria composta por dirigentes sindicais, além de 81 participantes dentre observadores e convidados, a 18ª Conferência dos Bancários aprovou os eixos da campanha salarial 2016/2017, tendo como os principais eixos o reajuste de 14,78% (inflação mais 5% de ganho real), valorização do piso salarial no valor do salário mínimo calculado pelo Dieese (R$ 3.940,24 em junho), PLR de três salários mais R$ 8.317,90, dentre outras.

A campanha Salarial dos Bancários se dará em meio a um golpe de Estado com ameaça de ataque aos direitos mais elementares dos trabalhadores e em especial os bancários. Fim da CLT, demissões em massa, privatizações dos bancos estatais, aprofundamento da política de terceirização, arrocho salarial, reforma da previdência etc. Os poderosos monopólios e suas organizações golpistas como a imprensa golpistas, a ditadura da justiça, as organizações patronais golpistas (FENABAN, FIESP, FIRJAM, FIEMG, CNI), o corrupto Congresso Nacional, aliados ao imperialismo necessitam do golpe para aprofundar a política de austeridade aos trabalhadores e à população devido ao agravamento da crise histórica do capitalismo.

Grande parte da discussão na Conferência girou em torno da questão contra o golpe; setores como a intersindical e CTB defenderam a proposta de um plebiscito por novas eleições com a justificativa de que o “povo é que deve decidir” os rumos para a saída da crise e derrotar o golpe. Novas eleições após a derrubada do governo de Dilma é apenas uma maneira de legitimar os golpistas, com o agravante de passar uma impressão de que tudo está sendo um processo “democrático”. Uma eleição convocada dentro da atual situação política em que o Brasil vive seria totalmente controlada pela direita, que é quem está na ofensiva controlando todas as instituições do regime. Seriam eleições controladas pelos golpistas.

Um setor expressivo do PT presente na conferência, que detinha a maioria dos delegados na conferência, defendeu a política contra o golpe mas, através de uma política capituladora semeiam a ilusão de que é possível reverter o processo golpista na votação do Senado Federal. É uma política que vem promovendo um retrocesso geral, a tal ponto de setores da própria CUT voltarem a adotar a política de atos com a Força Sindical golpista em torno de ações genéricas apoiada por setores do empresariado como a “redução de juros” como centro da atividade.

O caminho de luta a ser tomado e que realmente está de acordo com os interesses dos bancários nesta campanha salarial aliados com os trabalhadores e da população em geral é a luta para derrotar o golpe e a direita, o que implica em retomar as coisas como estavam, ou seja, o retorno da presidenta eleita. Antecipar eleições presidenciais é apenas agravar o estado da crise e abrir a possibilidade que os golpistas consolidem o golpe e aprofundem os ataques contra os direitos dos trabalhadores e contra as organizações populares, que é o verdadeiro objetivo do golpe.

Nesta campanha salarial é importante que os bancários tenham consciência de que estarão diante da movimentação golpista e da ofensiva da direita e deverão lutar contra a política econômica levada adiante pelo representante dos banqueiros no governo golpista, o ministro da Fazenda Henrique Meirelles, que coloca em prática uma política de austeridade contra os trabalhadores.

A única forma de barrar a ofensiva dos banqueiros e arrancar as reivindicações mais sentidas dos trabalhadores (reposição integral das perdas salariais, contra as demissões e terceirizações e etc.) é unificando a categoria bancária com outras categorias que estarão em campanha salarial neste segundo semestre como os petroleiros, metalúrgicos e trabalhadores dos Correios. É preciso levantar a palavra de ordem de greve geral contra o golpe.

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