Reestreia da peça Cidade Vodu, onde haitianos contam suas histórias

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Haiti foi o primeiro país a acabar com a escravidão nas Américas

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A peça Cidade Vodu é encenada através de relatos datados na história do Haiti e dos haitianos que seguiram para o Brasil. Desde a colonização até a Revolução Haitiana, liderada por Toussaint Loverture, a peça denuncia o racismo que a população de um país inteiro ainda sofre.

Em uma sequência cronológica, os depoimentos começam ainda no período escravista e alternam com casos que descrevem no detalhe as barbaridades cometidas contra o povo haitiano.

Em seguida é retratado o período colonial do país, fase em que esteve sob domínio francês de Napoleão Bonaparte. Um dos últimos relatos fala da imigração haitiana para o Brasil, especialmente depois do país ser ocupado pelas tropas da Minustah, força de repressão da ONU que até hoje está no país numa missão para levar “estabilidade” ao Haiti.

A esta altura, os depoimentos se concentram na vida dos haitianos no Brasil, e que também relatam a destruição causada pelo terremoto de 2010 no país. Em todo momento da peça, passada na Vila Itororó, as pessoas são guiadas por soldados da Minustah, que fazem a contenção e manda o que deve ser feito ou não.

A truculência do exército brasileiro no Haiti também é denunciada. Um vídeo completamente ridículo é apresentado, onde um soldado brasileiro, em uma espécie de guarita, força os haitianos a cantarem uma música da Xuxa.

As pessoas que vão assistir à peça traçam um percurso pela Vila Itororó, que hoje está abandonada, o que faz lembrar o próprio Haiti, ou as periferias brasileiras. Diálogos são projetados nas ruínas da vila.

Em dada altura da peça as pessoas são convidadas a tomarem uma deliciosa sopa típica do Haiti. É um alimento servido no dia da independência do país e que, durante a peça, também é servido.

Também é destaque a quantidade de críticas feitas ao capitalismo e o resultado desse sistema para o país.

Por ter sido o primeiro país das Américas a acabar com a escravidão, o Haiti, desde então, sofre com embargos e intervenção direta do imperialismo, como é o caso da Minustah. A expulsão das tropas do país é uma das reivindicações do movimento negro brasileiro.

A peça, dirigida por José Fernando de Azevedo, reestreia neste sábado, dia 26 de março, na Vila Itororó, perto do metrô São Joaquim. Maiores informações no site: www.teatrodenarradores.com.br

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