Milagro Sala: atendendo a pedidos

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Após protestos por moradia, a militante Milagro Sala é presa pela direita macrista, com o apoio da esquerda pequeno-burguesa

Rascunho automático 67

Milagro Sala, líder indígena e dirigente da Organização Indigenista Tupac Amaru, foi presa no sábado, dia 16 de janeiro, na província de Jujuy após ser acusada de “incitação  ao crime e à desordem”. Estamos frente à primeira e extremamente importante prisão política na argentina no governo de Mauricio Macri.

Ou seja, trata-se de um prisão explicitamente política.

O governo direitista e capacho do imperialismo de Macri em menos de dois meses já se mostrou como um governo altamente repressivo e em muitos aspectos ditatorial. Governa por decretos, nomeoujuízes sem o devido trâmite, e mais recentemente decretou dez medidas em que dava extremos poderes às Forças Armadas, que poderiam derrubar aviões abater navios e algo que já conhecemos muito bem aqui no Brasil: no “combate ao narcotráfico” o governo Macrista vai instaurar destacamentos que farão um papel extremamente similar ao das UPPs (Unidade de Polícia Pacificadora) nos lugares considerados “perigosos” na Argentina.

Fica evidente que a prisão de Milagro Sala é um primeiro e muito grave ataque ao movimento popular e operário argentino.

Diante disso, o Partido Obrero, mais especificamente seu dirigente,  Jorge Altamira, em lugar de defender a ativista, chegou a declarar que ela deveria sim ser presa, mas não por protestar, e sim por corrupção. Como se a direita não acusasse os ativistas operários, camponeses e do movimento popular de crimes comuns para persegui-los politicamente.

Foi o que aconteceu no Brasil com os dirigentes do PT, tal como José Dirceu, ou com os líderes do MST, como José Rainha, várias vezes preso e acusado de crimes, quando seu verdadeiro crime aos olhos da burguesia é promover ocupações de terra.

Aliás, utilizar acusações de crimes comuns, na maioria das vezes forjadas, para perseguir politicamente os ativistas é o método preferido da burguesia e da direita, pois evita o desgaste e a exposição de tomar uma atitude ditatorial como prender alguém por motivos políticos.

Assim que, após o primeiro deslize, de acusar Milagro Sala de “protestar”, a direita seguiu o conselho de Jorge Altamira e agora a acusação contra ela é justamente… de corrupção.

A tarefa de todos os setores progressistas é se opor à perseguição do governo direitista de Macri a Milagro Sala.

Pedir repressão ou se abster diante de uma boa desculpa encontrada pelo governo de Macri é dar uma enorme contribuir e, na prática, apoiar a política duramente repressiva que Macri quer impor a toda a população argentina.

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