Execução de Marielle Franco tem acordo dos órgãos de repressão

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Marielle Franco, vereadora pelo Psol no Rio de Janeiro, foi executada na semana passada em uma típica ação coordenada por militares, de conjunto. Não pode haver dúvidas sobre isso.

Para pessoas que acompanham casos assim, sendo ou não de organizações políticas, logo no primeiro momento do anúncio da morte da vereadora ficava claro que não tinha nada a ver com o crime organizado da cidade.

Primeiro os métodos da execução. Foram usadas balas de 9 milímetros em sua totalidade; os tiros foram certeiros, e só cessaram quando da certeza da morte da vítima, que morreu com quatro tiros na cabeça, sendo que o motorista morreu com tiros nas costas, mostrando que foi um efeito colateral da ação.

As munições, segundo a própria imprensa burguesa, teriam sido desviadas ou roubadas da própria Polícia Federal. Que cidadão, que não seja da própria PF, teria a audácia de roubar munições desta que é uma organização comandada pelo próprio imperialismo?

Um pequeno detalhe é que o mesmo lote de munição teria sido utilizado nas chacinas de Osasco/Barueri (SP), onde mais de 20 pessoas foram mortas. O que leva à conclusão de que existe uma organização nacional, de extermínio, uma espécie de comando nacional dos esquadrões da morte.

Depois foi dito que o carro, que já estava seguindo Marielle horas atrás, teria emparelhado e buscado o ponto cego do carro de Marielle para efetuar os disparos. Uma dificuldade razoável para o atirador, que com isso mostrou que tem formação na área, e executou a vereadora. Sem contar que nada foi roubado durante a ação.

E não é só. Seguiu-se todo o modus operandi que se apresenta após uma execução cometida pelas próprias forças de segurança: não é localizado um único suspeito; as informações são confusas, dispersas; mesmo os “investigadores” não “sabem muito bem” o que está acontecendo; as provas são escassas. Sem falar das testemunhas, pois se alguém tiver visto toda a operação, esse alguém corre sério risco de vida. Tudo feito para não localizar a autoria do crime.

Todos esses fatos, esses detalhes, demonstram que a execução foi feita por profissionais treinados e com a cobertura das forças de repressão como um todo, as quais ou autorizaram a execução, ou não querem ninguém preso por conta dela. Ou seja, existe um acordo geral entre os militares de que o que foi feito com Marielle é o correto.

Se é assim, existe, na verdade, um plano bem pensado entre os militares. Não executaram uma pessoa como Marielle, vereadora, conhecida na cidade, por acidente, ou por decisão de última hora, muito pelo contrário. Assim, é com esse plano que devemos nos preocupar.

Eles não deram o golpe de Estado em Dilma Rousseff e no Partido dos Trabalhadores “somente” para atacar os direitos da população; deram o golpe para esmagar a esquerda e retirar seus elementos do regime político, por isso, também, a iminente prisão de Lula. É um esforço para impedir que o povo reaja, através de suas organizações e lideranças, diante dos desmandos dos golpistas e da direita.

Também por isso é preciso que sejam organizadas grandes manifestações que denunciem o regime golpista de conjunto, que levem as reivindicações do povo que está nas ruas contra o golpe, como a expulsão dos militares do Rio de Janeiro, a luta contra a prisão de Lula, e a dissolução da PM e das forças de repressão, que mostraram unidade no caso Marielle e no golpe de Estado como um todo.

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