A impressionante virada do PO ao golpismo morenista

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Nessa coluna escrevi uma crítica às posições do PO e de seu dirigente Jorge Altamira diante da condenação de Lula, no TRF4. No fundamental, nos artigos “Lula é vítima de sua própria política” e “Sem Lula é fraude”, a tese defendida pela esquerda pequeno burguesa argentina era que o PT e Lula são os principais responsáveis pela derrubada do governo Dilma e mesmo pela condenação do ex-presidente pelos juízes burgueses. A máxima altamirista é que a culpa é da própria vitima.

Além disso, reciclando os mesmos argumentos golpistas do PSTU e requentando o discurso da direita lavajateira no estilo Luciana Genro (PSOL), Jorge Altamira afirmou  que a condenação de Lula foi produto tão somente da aproximação do ex-presidente com as empreiteiras. Não existe nenhuma acusação à direita pelo seu golpe de estado e nenhuma, absolutamente nenhuma solidariedade a principal liderança da esquerda brasileira diante da evidente perseguição promovida pela direita reacionária. Trata-se de uma anistia e uma apologia teórica do golpe de Estado de 2016.

Diante do impacto da crítica das suas posições políticas, que desmascaram a aproximação do PO com a política morenista de apoio ao golpe da direita, o PO e seu apoiador na USP apresentaram um texto intitulado “IMPRESSIONISMO POLÍTICO E FUNDO PARTIDÁRIO: O TRISTE FIM DO PCO” para tentar desviar o conteúdo do debate.

Primeiramente, uma questão de método. Peço ao leitor que não se deixe impressionar com a terríveis acusações proferidas pelo porta-voz do PO ao PCO, essa é uma velha tática morenista oportunista de evitar o desvelamento das posições que foram criticadas. Infelizmente, de tanto ser vitima desse tipo de estrategema morenista, o PO resolveu adotar o mesmo método, talvez seja um dos efeitos da “ frente de esquerda” realizada na Argentina com sobrevivências do morenismo.

Isso por si, já é revelador do completo desmantelamento do partido como partido marxista, que é obrigado a usar das milongas morenistas (aviso ao Doutor ignorante da USP que uso a palavra no sentido pejorativo mesmo , no sentido de trapaça, e não na tradução literal de “ samba”, portanto quando escrevo milongueiro da USP não estão falando ” sambista”, mas no sentido de ” malandro” ou melhor picareta, que melhor traduz o referido personagem ).

Assim, as trapaças retóricas e as “ denúncias” servem não apenas como simples calúnias para desacreditar quem estabelece a polêmica, mas visa sobretudo ocultar o real conteúdo do debate. Vejam, o exemplo do PSTU, quando foi desmascarado como partido golpista, em matéria na Carta Capital, apresentou-se como vitima de “calunia” do PCO, pois não tinham escrito nos seus materiais a palavrinha Impeachment, porém  depois não teve mais como disfarçar que defendiam o “ Fora Dilma” ou seja a derrubada do governo eleito.

Um outro recurso para evitar o debate é o tom de indignação, o PO apresenta-se injustiçado pelo simples fato que foi feita uma critica política as suas posições.  Como assim, estão criticando o “ revolucionário” PO e seu dirigente histórico? como qualquer partido da esquerda pequeno burguesa, o PO não admite ser criticado o “PCO ataca o Partido Obrero (PO) argentino e Jorge Altamira, um de seus dirigentes históricos.” Aqui a coisa assume contornos religiosos…
Para revidar o “ataque”, o PO apresenta como linha argumentativa a tese que a “ melhor defesa é o ataque”. A tese fundamental é que o PCO “ ataca” o PO, porque é uma “ corrente externa” do PT. “De uma pequena, mas combativa, organização socialista, o PCO se transformou em uma corrente externa do Partido dos Trabalhadores (PT), chegando a defender o PT e seus governos”.

Na mesma linha, e no tom acusatório, o PO afirma que o PCO “agora defende um projeto político de Frente Popular com partidos e organizações que não rechaçam os patrões e a exploração capitalista. (…) seu projeto é o da conciliação de classes. o menos pior, o mal menor.”
Observem que a critica do PO não é nada original, é a mesma usada pelo PSTU e a sua central golpista não somente contra o PCO, mas contra qualquer um que teve a audácia de lutar contra derrubada do governo Dilma pela direita. Lutar contra os golpistas e defender o governo eleito por mais 54 milhões de votos contra a engrenagem golpista no judiciário, legislativo e na imprensa capitalista seria apoiar “o menos pior, o mal menor.”

Além disso, o PO utiliza-se do mesmo tipo de abordagem ultimatista usada pelo PSTU para chantagear os setores vacilantes do PT e da esquerda pequeno burguesa. É um tipo de praga moral, qualquer um que lutasse pela  manutenção do governo de frente popular se colocando contra o golpe de estado, estaria praticando uma “ conciliação de classe”. Lutar contra o golpe, ou seja, pela manutenção do governo Dilma, faria de você responsável por tudo que o governo fizesse, seria defender “um projeto político de Frente Popular”. Assim, o PO apesar de falar em golpe, procura a todo momento atacar quem luta contra o golpe, apresentando uma permanente acusação ultraesquerdista no estilo morenista, o que representa na prática fazer uma frente, ainda que disfarçada com a direita golpista.

O PCO foi o único partido que colocou de maneira clara que a tendência política geral no Brasil e na América Latina seria a implementação de um novo período de golpes de estado patrocinado pelas forças conservadoras nacionais e pelo imperialismo internacional. A todo momento da crise político brasileira, o PCO e em especial seu presidente Rui Costa Pimenta apontou com bastante propriedade analítica marxista os contornos e os desdobramentos do golpe no Brasil, isso é reconhecido por amplos setores, o que fez aumentar a autoridade do PCO no atual contexto político. Para os papagaios do morenismo, a correção da análise do PCO é “ impressionismo”. “Segundo a lógica impressionista do PCO, após o Golpe a grande tarefa da esquerda é defender Lula e o PT, e qualquer posicionamento político que destoe disso é útil à direita, a Sérgio Moro, a Temer, aos golpistas e à Lava Jato.”

O que o trapaceiro recalcado da USP ( que escreve textos obtusos superficiais para sua clientela acadêmica) chama de “impressionismo” do PCO foi o formidável acerto político do partido diante do golpe. O que o PO demonstra é querer manter uma “suposta” independência” diante da luta de classes. Segundo eles é “ feio” defender Lula e o PT diante da direita golpista. E ficam indignados de serem acusados de serem “ úteis à direita”. Bem, como a carapuça serviu, é preciso afirmar de maneira contundente: sim quem não defende Lula diante da perseguição da direita e não lutou contra a derrubada do governo Dilma, aliando-se ao PSTU golpista na CSP e no Andes ( que até hoje nega o golpe) como faz o representante do PO no Andes e na CSP é sim útil a direita, pois apesar dos textos supostamente contra o golpe, na prática estão participando de uma frente única com aquilo que é mais reacionário no Brasil

Seria instrutivo para o partido pequeno burguês eleitoreiro argentino ler os jornais Prensa Obrera na época da crise das Malvinas ( 1982). Naquela ocasião, corretamente o PO defendeu a oprimida Argentina contra o imperialismo inglês. Bem, hoje certamente os trotskistas argentinas seriam acusados pelo PO morenista  de não ter “ um posicionamento independente da esquerda” de ser “subserviente” aos militares e “É o bom e velho campismo, uma visão maniqueísta que de marxista não tem nada.” ( essa última frase foi retirada do arsenal morenista, tendo inclusive um texto de Moreno com esse título)
Não vou me dar ao trabalho de responder as acusações, no estilo Lava Jato, do PO de que o que levou o PCO a  supostamente “defender o regime democrático e o PT” foi o acesso ao fundo partidário. Essa “ acusação” típica do MBL, que por sinal faz essa mesma “denuncia “ contra o PCO é por só uma prova do desespero do PO em se esconder do debate politico.

Um ponto central que somente confirma as críticas feitas sobre a adesão do PO e Jorge Altamira ao ultraesquerdismo do morenismo, é justamente sobre a palpitante questão  “E como a esquerda responde a essa situação?

Apesar do PO não ter absolutamente nenhuma atuação no Brasil, depois que excluiu burocraticamente o PCO do movimento de Reconstrução da IV Internacional, apresenta a fantasia delirante que existe uma “ organização” da sua “ IV Internacional”, uma certa  Tribuna Classista, que ninguém nunca ouviu  falar  e não atua em lugar nenhum, servindo apenas para divulgar no facebook as “ análises” do Dr. “Milongueiro”, como ele revelou que gosta de ser chamado, um Dr. marxiano uspiano que tem como única  atuação apoiar a diretoria do Andes, sindicato filiado a CSP, que negou o golpe em 2016 e ajudou a direita a atacar ao PT.

Assim, como sob efeito de entorpecentes, os “amigos” do PO e de Jorge Altamira, fazem uma autoproclamação exaltada deles mesmos (ou seja do inexistente) : “Tribuna Classista (sic) ao contrário de PT, PCdoB, PCO e da maioria do PSOL, não acredita que os trabalhadores devem responder à crise reivindicando a defesa do regime democrático a qualquer custo.”

Deixando de lado, o ridículo da auto exaltação  proclamada pelos apoiadores do PO, que simplesmente não existe enquanto organização como sendo a única revolucionária (uma cópia ridícula dos delírios do PSTU), podemos observar que a negativa em defender os direitos democráticos ameaçados é a comprovação da completa falência política, programática, do PO, e que o outrora militante trotskista Jorge Altamira tem se transformado em  um genérico do farsante Nanuel Moreno.

Notem que essa afirmação que nega a defesa dos direitos democráticos é uma verdadeira profissão de fé de posições ultra esquerdistas grotescas, criticado por Lênin como “ infantilismo” e por Leon Trótski ao analisar as posições sectárias do Partido Comunista Alemão diante da ascensão do Nazismo.

Dessa forma, acompanhando as posições morenistas, o PO recusa-se a defender as garantias democráticas (“a qualquer custo”) diante do golpe. Esse ultraesquerdismo serviu para os morenistas se recusarem a lutar contra o golpe, defender a derrubada do governo eleito pela direita e pelo imperialismo e, inclusive, a prisão de Lula. Interessante notar, somente como registro, que, na Argentina, os “radicais” estão totalmente adaptados a legalidade democratizante “ a qualquer custo”. Como diz o ditado, em casa de ferreiro, espeto de pau!

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