Protesto: mulheres de detentos param rodovia em Maceió

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Protesto: mulheres de detentos em Maceió param rodovia

Mulheres de presos que cumprem pena no Sistema Prisional de Maceió protestaram contra a última transferência realizada internamente, entre as unidades prisionais. O absurdo da situação é que, segunda elas, detentos de facções rivais estão juntos e isso pode acarretar uma tragédia sem precedentes.

O protesto ocorreu na manhã desta sexta-feira, 12, com intuito de cobrar garantias da segurança dos presos, e chegaram a bloquear os dois sentidos da BR-104, em frente ao complexo prisional. A via foi liberada por volta das 10h.

A transferência em questão foi realizada na manhã de quinta, dia 11. Segundo a Secretaria de Ressocialização e Inclusão Social (Seris), 444 presos foram levados do Presídio Cyridião Durval para a Penitenciária de Segurança Máxima (PenSM). Outros 150 fizeram o sentido inverso.

Segundo relato da esposa de um dos presos, que pediu para não ser identificada, já estão ocorrendo ameaças de morte entre os detentos e a situação se agrava com a irresponsabilidade dos gestores do presídio.

“A gente quer que resolva o problema que eles (Seris) fizeram. Eles pegaram o pessoal do Cyridião, módulos 4 e 5, e colocaram junto com a facção rival. Lá já está a maior confusão porque estão dizendo que um vai matar o outro. Uma facção quer matar o pessoal da outra, e quem não tem facção nenhuma, como meu marido, está correndo risco de vida” (G1, 12/01/18).

Outra mulher disse que até elas estão sendo ameaçadas. “Eles (os presos) estão ameaçando até a gente, que é mulher dos outros. Já tem áudio rolando com ameaças. Então a gente quer que tire eles dali, porque tem gente que não tem nada a ver com isso”.

Protesto: mulheres de detentos param rodovia em Maceió

Ainda segundo informações recolhidas no local pela imprensa, um grupo de 5 dessas mulheres procurou a administração para tentar uma reunião e um acordo com relação à situação dos detentos. Elas ameaçam fechar a via novamente se não chegarem a uma solução.

A assessoria de imprensa da Seris informou que negou que presos de facções rivais tenham sido colocados juntos, e que a transferência é justamente para evitar qualquer tipo de problema quanto a isso.

A nova Penitenciária de Segurança Máxima (PSM) de Alagoas, que estava pronta desde 2015, passou a funcionar definitivamente no dia 20 de janeiro de 2017, a quase um ano atrás. A inauguração em caráter excepcional foi confirmada pela Secretaria de Estado da Ressocialização e Inclusão (Seris).

A construção de presídios não comporta a perseguição racista do Estado Burguês à classe operária e trabalhadora brasileira, aos negros que são maioria em nosso país, e hoje está em crise sem precedentes. A violência da burguesia contra os mais necessitados se da na forma de repressão policialesca, na guerra ás drogas – provadamente falida em todo o mundo, mas principalmente nos EUA -, como também no encarceramento em massa e no genocídio do povo negro.

Os governos de direita constroem mais presídios ao passo que destroem escolas públicas. Dos presídios construídos, 100% estão superlotados, mantendo seres humanos em condições sub-humanas, fraudando licitações, dando comida estragada – como denunciado neste diário – e agora colocando presos inimigos para se matarem. O Estado Burguês é genocida. Ele busca destruir a vida da classe operária desde a base, desde a escola sucateada que mais parece um presídio, passando pelas periferias cheias de drogas onde vemos policiais envolvidos em todos os estados no tráfico, e finalmente as famílias são destruídas por esse rolo compressor chamado “democracia burguesa”. Em uma sociedade onde não se tem emprego, qualidade de vida para os mais humildes, casas, eletricidade, água, esgoto e transporte público de qualidade, muitos acabam no crime pela facilidade de ganhar dinheiro, pois, como todos sabemos, a lógica do capitalismo é “ganhar dinheiro a qualquer preço”, e é assim que essa massa de trabalhadores negros que já nasceram sem a tão falada meritocracia acabam nessas masmorras “modernas”.

Anteriormente a decisão das transferências entre presídios foi tomada em meio a diversos remanejamentos de presídios do estado de Alagoas, onde, segundo os gestores “para evitar que houvesse confrontos entre eles”, já que o país enfrenta uma grave crise no sistema carcerário, com rebeliões e mortes registradas em vários estados, principalmente em Alagoas. Mas agora parece que essa “benevolência” dos gestores acabou, pois com o golpe, toda a direita se sentiu a vontade para aumentar o nível de suas atrocidades e com essa situação que vemos aqui parece que querem matar todos.

Com a população carcerária aumentando exponencialmente no País, é preciso deixar claro que a nossa luta deve ser a mesma de todos que estão aprisionados em condições sub-humanas, pelo fim da máquina de matar que é a PM e pela liberdade para todos os presos. Está na conta dos golpistas, do Judiciário e do Ministério Público as mortes ocorridas nos presídios brasileiros. É deles a responsabilidade de cada assassinato nas penitenciárias. Deles e dos golpistas do Executivo e do Poder Legislativo.

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