A narrativa delirante morenista de 2017

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Quando chegamos nos últimos dias de um ano é natural a proliferação de balanços sobre os principais acontecimentos do ano e prognósticos sobre o ano seguinte. A seleção e intepretação dos principais acontecimentos de 2017 realizada pelo PSTU, tanto pelos exageros quanto pelas omissões são elementos ilustrativos da completa falta de concretude das análises dos agrupamentos da esquerda pequeno burguesa sobre a conjuntura política brasileira.

No artigo intitulado O que significou 2017 e o que nos espera 2018? publicado no site do PSTU no dia 30 de dezembro de 2017, completamos como os acontecimentos e a evolução política do golpe desmentes completamente a “análise” morenista.

Em primeiro lugar, mesmo contra todas as evidências da realidade, o PSTU continua negando que a presidência da República é ocupada por um usurpador. Assim mesmo diante da ofensiva da direita, com a aprovação da Reforma Trabalhista e da intensificação da “ guerra social contra os trabalhadores e a população pobre” , para o PSTU não houve golpe e não existem golpistas.

O cerne da politica golpista do  PSTU foi a defesa do “ Fora Dilma” no pacote do “ Fora Todos”, assim na visão morenista a  derrubada do governo da Frente Popular pela direita teria sido algo positivo, uma “ vitória” dos trabalhadores, sendo o primeiro degrau para enfraquecer a direita, entregando o poder para direita, para depois derrubar a direita. Essa lógica estupidamente ridícula, pode ser desmontada, até mesmo pelos  dados apresentados  na matéria de balanço de 2017 do PSTU, que mostraram exatamente o contrário da cantilena morenista.

O “balanço” é obrigado a reconhecer que o governo Temer não é a mesma coisa do governo Dilma. O texto indica que “A miséria e a pobreza aumentaram, assim como a desigualdade social”, sendo que a “crise social tende a piorar”.

Então até mesmo o texto elaborado pelo articulista do PSTU refuta com dados a narrativa sectária do partido de que “todos são iguais” e que a queda de Dilma e a chegada da direita golpista no Palácio do Planalto seria “trocar seis por meia dúzia”: “um índice de 13,7% refletindo uma massa de mais de 14 milhões de desempregados sob os critérios do IBGE”. (…)Isso se expressou nas demissões em massa, na precarização cada vez maior do trabalho e o desmantelamento dos serviços públicos, como saúde e educação, premidos pelo brutal ajuste fiscal de Temer, assim como prefeitos e governadores.”

Além disso, ao descrever as derrotas do movimento de massas como aprovação da Reforma Trabalhista, o balanço desmente a fantasia delirante dos ultraesquerdistas que estamos diante de “ reorganização” do movimento de massas  para fazer a “ revolução”.

Entretanto, o PSTU como diz o ditado “não se faz de rogado” e diante do completo fracasso da sua política e sua “análise”, novamente requenta o velho discurso “ toda a culpa é do PT e das centrais( leia-se CUT) “. Dessa forma, a derrubado do governo Temer não aconteceu pela “traição” das centrais e do PT.

Em relação ao movimento operário, o texto procura passar a visão de qe estamos em um período de ascenso, sendo que 2017 é “Um ano de lutas e greves”, e que não houve a vitória completa devido as “direções do movimento prontas a traírem e a sustentarem esse governo em troca de migalhas.”

Em relação ao papel das centrais, é preciso esclarecer o seguinte, um dos principais erros da CUT foi insistir em uma “unidade” com a Força Sindical, uma central patronal e apoiadora do governo golpista. Acontece que essa política foi formulada e impulsionada pela CSP Conlutas.

Além do mais, o ano de 2017 relevou de maneira categórica, que a “central” do PSTU é uma completa farsa, pois é incapaz de qualquer mobilização, cumprindo o papel ultra secundário de ficar fazendo lobby para as “outras centrais” e acusando a CUT de “ traição”.

Por sua vez, o balanço da CSP Conlutas é extremamente desconfortável. O congresso da entidade revelou as posições de direita da “central”, que de maneira disfarçada adotou a posição do PSTU e dos agrupamentos morenistas do PSOL de apoiar o imperialismo norte-americano na Venezuela, defendendo a queda do governo Maduro. Em termos internos, tem crescido a insatisfação dentro da CSP, PSTU somente continua dirigindo sua “ central”, através de expedientes fraudulentos e antidemocráticos.

É importante assinalar, que em 2017 foi o ano da crise terminal da Anel (entidade estudantil controlada pelo PSTU), uma vez que aconteceu o esperado “Fora todos”, uma demandada sem precedentes dos grupos estudantis de volta para a UNE. Aconteceu também em 2017, o completo aniquilamento do “movimento de mulheres” da CSP/PSTU,( praticamente toda direção saiu), esse abandono  foi resultado da política “ Fora Dilma” .

Neste sentido, o 2017 é o ano de aprofundamento do golpe e  a continuidade da crise do PSTU por ter apoiado o golpe de Estado em 2016.

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