Calar as universidades faz parte da preparação do golpe militar

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Calar as universidades faz parte da preparação do golpe militar: organizar em todos os campus os comitês de luta contra o golpe

As recentes investidas no final do ano dos principais setores golpistas, como o Judiciário e a imprensa, contra as universidades públicas, cumpre com dois objetivos. O primeiro deles é, por meio das “denúncias” e dos “escândalos” de corrupção supostamente envolvendo reitores, professores, ou seja, a direção das instituições, abrir caminho para a privatização do ensino superior no país. A entrega das universidades para os monopólios privados da educação é uma das metas dos golpistas, anunciada inclusive por um dos porta-vozes do golpe de Estado, o jornal O Globo, em editorial publicado em julho de 2016.

Outro objetivo, esse mais político, é acabar com a resistência organizada que há nas universidades públicas contra os golpistas, preparando o terreno para o aprofundamento do golpe, ou seja, o golpe militar. Historicamente as universidades brasileiras foram e ainda são importantes focos de resistência e luta contra a direita. Durante a ditadura militar, foi nas universidades que surgiram, primeiramente, os movimentos de oposição ao regime dos generais. Destaque para as mobilizações estudantis em meados da década de 1970. Como as greves em vários campus, como a de 1977 na Universidade de Brasília, os atos contra a repressão, como o ocorrido na PUC, a reorganização do movimento estudantil, com a formação dos Diretórios Acadêmicos e a reconstrução da própria União Nacional dos Estudantes.

Nos dias atuais, as universidades estão sendo a ponta de lança de resistência contra os setores da extrema-direita, os quais são abertamente favoráveis à ditadura e à repressão contra o povo. Nos últimos meses foram diversos os casos em que os estudantes, por meio dos comitês de luta contra o golpe, organizaram a luta contra os fascistas e os expulsaram das universidades. Podemos citar, por exemplo, a mobilização na Universidade Federal de Pernambuco, na Bahia, no Rio Grande do Norte e, mais recentemente, na Universidade de São Paulo, a USP, onde os fascistas foram devidamente combatidos e colocados para correr pelos estudantes.

Para os donos do golpe, que agora preparam a volta dos militares e a imposição de um ditadura escancarada contra o povo, a resistência no interior das universidades é um problema, uma vez que, com o crescente descontentamento popular, essa resistência poderá e deverá atingir outros setores como o movimento operário, tal qual aconteceu na época da ditadura militar. Naquele contexto, a luta dos estudantes acabou se estendendo para a classe trabalhadora como um todo, levando às greves do ABC no final dos anos de 1970, e à queda da ditadura.

Nesse sentido a investida do Judiciário e da Polícia Federal junto à imprensa golpista cumpre também com esse objetivo de tentar minar a resistência. A resposta à ação dos golpistas é a intensificação da luta organizada dos estudantes, funcionários, professores e toda a comunidade acadêmica. É necessário não se intimidar com o verdadeiro terrorismo perpetrado pela direita contra as universidades. A luta, para ter êxito, deve ser organizada em cima da principal causa desses ataques, o golpe de Estado. É de fundamental importância, portanto, a formação dos comitês de luta contra o golpe em todas as universidades do país.

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