Neoliberalismo em crise: Corbyn espera tornar-se primeiro-ministro ainda em 2018

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Neoliberalismo em crise: Corbyn espera tornar-se primeiro-ministro ainda em 2018

Em uma entrevista publicada esse mês na revista feminina britânica Grazia, Jeremy Corbyn, líder do Partido Trabalhista (Labour), declarou que: “provavelmente haverá eleições dentro dos próximos 12 meses, e nós provavelmente venceremos”. Há motivos para tanto otimismo. Teoricamente, as eleições não precisam acontecer nos próximos cinco anos, no entanto, diante da crise do governo, no regime parlamentarista do Reino Unido as eleições podem ser antecipadas.

A primeira-ministra Theresa May conduz um governo em crise, o Partido Conservador está rachado, as negociações com a União Europeia sobre os termos da saída do Reino Unido do bloco não estão chegando a lugar e nas eleições gerais realizadas esse ano os conservadores perderam a maioria absoluta no Parlamento, sendo obrigados a fazer uma coalizão com um partido de extrema-direita da Irlanda do Norte. Todos esses dados fortalecem a avaliação de Corbyn sobre uma possível vitória eleitoral no ano que vem que o levaria a ser o primeiro-ministro do Reino Unido.

Outro dado a ser acrescentado são as próprias pesquisas de intenção de voto. Em quase todas as pesquisas realizadas durante dezembro o Partido Trabalhista apareceu na frente do Partido Conservador. A vantagem varia, indo de apenas 1% a até 8% na frente. Uma tendência que já tinha sido mostrada nas próprias eleições de junho, quando as pesquisas apontavam uma maioria conservadora para tentar influenciar o resultado. Abertas as urnas, a manipulação ficou evidente e o governo ficou exposto de tal forma que, se novas eleições fossem realizadas no dia seguinte, provavelmente os trabalhistas já venceriam naquela época.

A popularidade de Corbyn indica uma rejeição generalizada dos eleitores no Reino Unido ao neoliberalismo. Apesar de a classe média votar tradicionalmente com mais peso do que os trabalhadores, dessa vez a classe trabalhadora organizada nos sindicatos ligados ao Partido Trabalhista, grandes sindicatos nacionais que abrangem diversas categorias, fez campanha para que Corbyn se tornasse secretário-geral do partido e derrotasse o chamado Novo Trabalhismo. Com isso, o partido passou a  rejeitar o programa neoliberal com o qual governos durante a década passada e final da década de 90, primeiro com Tony Blair e depois com Gordon Brown.

O programa de Corbyn é basicamente uma reversão das medidas do governo de Margareth Thatcher. O possível próximo primeiro-ministro britânico pretende aumentar os impostos sobre grandes empresas, operações financeiras e altos salários, além de lançar uma nova ofensiva contra a sonegação fiscal. Essas medidas visam custear o aumento de gastos públicos prometidos no manifesto do partido lançado em junho, que cresceriam R$ 186.34 bilhões (£48 bilhões). Corbyn também defende a nacionalização de empresas que foram privatizadas nas últimas décadas.

Trata-se de um programa que enterraria a ofensiva neoliberal contra os trabalhadores que vigora no Reino Unido desde os anos 80 com os governos Thatcher, construída sobre duras derrotas da classe operária, impostas com muita violência. Essa perspectiva colocou o mercado e grandes capitalistas em pânico. Uma reportagem publicada pelo Financial Times apresenta um banqueiro associado do Goldman Sachs falando que o Reino Unido se tornaria, com uma vitória de Corbyn, uma “Cuba sem a luz do sol”. O tom alarmista perpassa toda a matéria, mostrando o medo dos capitalistas diante de uma derrota do neoliberalismo em um país central do capitalismo.

A política neoliberal que colocou o próprio regime político em crise no Reino Unido é a mesma política dos golpistas aqui no Brasil: ataques aos direitos trabalhistas e às organizações operárias, corte de gastos públicos, privatizações. Uma política que só pode ser colocada em marcha contra a maioria. No Brasil, foi preciso dar um golpe para tentar levar essa política adiante, e o regime em crise demanda, do ponto de vista da burguesia, um aprofundamento do golpe, podendo chegar a uma intervenção militar.

No Reino Unido, Corbyn também já está ameaçado desde já, em um momento em que o regime parece incapaz de impedir sua ascensão ao poder. Tal desfecho aprofundaria a crise do neoliberalismo e do imperialismo em todo o mundo, uma crise que expressa a decadência do próprio capitalismo moribundo.

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