Dia de hoje na historia: conheça Gregório de Matos, o homem que satirizou a Igreja Católica brasileira

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Dia de hoje na historia: conheça Gregório de Matos, o homem que satirizou a Igreja Católica brasileira

Hoje dia 23 de dezembro do ano de 1636, o escritor e advogado Gregório de Matos, nasceu. Ele é considerado um dos maiores poetas satíricos da literatura Brasileira do período colonial, foi poeta do barroco Brasileiro e Português.

Gregório ficou muito conhecido por suas sátiras criticando O sistema politico de sua época como em:

Contemplando nas cousas do mundo

“Neste mundo é mais rico, o que mais rapa:     

Quem mais limpo se faz, tem mais carepa:

Com sua língua ao nobre o vil decepa:

O Velhaco maior sempre tem capa.

Mostra o patife da nobreza o mapa:

Quem tem mão de agarrar, ligeiro trepa;

Quem menos falar pode, mais increpa:

Quem dinheiro tiver, pode ser Papa.

A flor baixa se inculca por Tulipa;

Bengala hoje na mão, ontem garlopa:

Mais isento se mostra, o que mais chupa.

Para a tropa do trapo vazio a tripa,

E mais não digo, porque a Musa topa

Em apa, epa, ipa, opa, upa.”

E principalmente a igreja católica como no soneto:

Soneto a Nosso Senhor

“Pequei, Senhor, mas não porque hei pecado,
Da vossa alta clemência me despido;
Porque quanto mais tenho delinquido
Vos tem a perdoar mais empenhado.

Se basta a voz irar tanto pecado,
A abrandar-vos sobeja um só gemido:
Que a mesma culpa que vos há ofendido,
Vos tem para o perdão lisonjeado.

Se uma ovelha perdida e já cobrada
Glória tal e prazer tão repentino
Vos deu, como afirmais na sacra história.

Eu sou, Senhor a ovelha desgarrada,
Recobrai-a; e não queirais, pastor divino,
Perder na vossa ovelha a vossa glória.”

 

O poeta foi várias vezes denunciado por desrespeitar as figuras religiosas e o poder, fazendo assim várias inimizades, mas assim mesmo continuava com seus poemas criticando tanto a igreja quanto o sistema político da época. Foi exilado do Brasil, e mandado para Angola em 1694, por conta de seus poemas.

Morreu em Recife em 1696 (dois anos depois de seu exílio) , quando voltava para o Brasil, vitima de uma doença que havia adquirido ainda em Angola.

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