Não é um golpista isolado, todo o alto comando do Exército prepara o golpe militar

Compartilhar:

No último dia 15 de setembro, em uma reunião organizada em uma Loja Maçônica, o general do alto comando e Secretário de Finanças do Exército, Hamilton Mourão, declarou abertamente que está sendo preparada uma intervenção militar no país.

A justificativa utilizada pelo general foi a crise política nacional e a necessidade de se “combater a corrupção”. A declaração do general, que há princípio foi tratada como algo isolado por diversos setores da esquerda, ou foi totalmente negligenciada, como no caso da esquerda-pequeno burguesa, como o PSTU que disse não haver perigo de intervenção militar, na realidade foi a primeira expressão pública de um consenso estabelecido entre  o Alto comando do Exército, dias antes, sobre a necessidade de um novo golpe militar no país.

Matéria publicada pela revista Isto É  no último dia 22 revelou que no dia 11 de setembro em Brasília ocorreu um Encontro do Alto Comando do Exército, de duração de cinco dias, no qual foi debatida entre os generais o atual contexto político brasileiro e a necessidade dos militares tomarem uma posição efetiva no cenário político brasileiro, ou seja, uma intervenção.

O encontro não foi uma reunião qualquer. Nele estavam presentes  16 generais quatro estrelas, entre eles Fernando Azevedo e Silva, chefe do Estado-Maior e Comandante Militar do Leste, provável substituto de Villas Bôas. Compareceram também os demais seis comandantes militares, entre os quais o da Amazônia, general Antonio Miotto, e o do Sul, general Edson Leal Pujol.  Mourão, portanto, não falou sozinho, nem estava blefando, ou emitindo uma opinião próprio, sua declaração expressou um orientação da cúpula militar.

Tal fato ficou evidente posteriormente. Os principais generais de alta patente do Exército, apesar da reação contrária de diversos setores à fala de Mourão, não só afirmaram que o militar não seria punido, como defenderam a posição do general. O primeiro deles foi o Comandante do Exército, general Villas-Boas, durante entrevista a um programa de TV da Rede Globo, dia 19. O general elogiou Mourão, chamando-o de “grande soldado”, disse que não haveria punição ao militar e por fim corroborou a fala feita na Loja Maçônica, dizendo que a intervenção está prevista na Constituição, no artigo 142, em caso de “caos” social no país.

Mesmo com o artigo em questão não afirmar essa possibilidade, trata-se de, na realidade de uma posição política defendida por Villas Boas tentando, com isso, usar a lei como respaldo.

Após a declaração do comandante do Exército, o general Augusto Heleno, responsável pelo comando das tropas brasileiras no Haiti,  declarou “apoio irrestrito” a Mourão, além de criticar as declarações contrárias de parlamentares e políticos à fala do general.  Seguindo a mesma linha, o  presidente da Associação dos Oficiais da Reserva do Distrito Federal, Rômulo Nogueira, também defendeu a necessidade dos militares assumirem em uma eventual queda de Temer. Outro que também apoiou Mourão foi o coronel Muniz Costa, que distribuiu uma carta para outros militares próximos defendendo a fala do general Mourão.

Todos esses fatos revelam, portanto, que o golpe militar está arquitetado na alta cúpula do exército. Soma-se a isso a ocupação militar na favela da Rocinha nesse útlimo final de semana, uma espécie de “treino” das forças armadas para uma intervenção militar.

Mourão, com diz o ditado popular, “deu com a língua nos dentes” e expôs o plano dos militares.

Estamos, portanto, diante da iminência de um novo golpe militar. Esta situação é a ameaça mais grave a todo o movimento operário brasileiro nos últimos 53 anos. Uma eventual intervenção significará uma brutal repressão a todas as organizações de trabalhadores, o retorno da censura, da tortura e da perseguição como práticas políticas.

As Forças Armadas são organizações preparadas para a guerra entre exércitos, entre forças regulares e irregulares. Atuam com armas letais, com o objetivo de matar pessoas. Por essa razão, temos de entender que elas representam uma força repressiva de grande capacidade no que diz respeito à atuação contra a população civil. Em todas as oportunidades em que isso aconteceu, vimos como funciona. Vimos as perseguições, as torturas e os brutais assassinatos de militantes de esquerda. Vimos a ação dos grupos de extermínio da população pobre e negra.

Nesse sentido, as organizações operárias, a esquerda e classe trabalhadora precisam dar uma resposta á altura a essa ameaça dos militares.

No próximo dia 11, está sendo chamado um Segundo Ato Nacional pela Anulação do Impeachment, mobilização que coloca no centro da luta política a necessidade de se derrotar o golpe. É necessário concentrar todas as forças nessa mobilização, organizar caravanas de todo o país e ocupar Brasília contra todos os golpistas e contra o golpe militar.

 

 

artigo Anterior

A “cura gay” é resultado da política golpista

Próximo artigo

Golpe não é ameaça de malucos, nem blefe

Leia mais

Deixe uma resposta