Derrotar, nas ruas, os planos de intervenção militar

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Grave. Muito grave. Gravíssimo. Assim pode ser caracterizado o momento vivenciado pelo país depois das declarações dos generais, que se sucederam à entrevista do General Hamilton Mourão, na Loja Maçônica, na semana passada, onde o oficial, sem meias palavras, afirmou que diante do “caos e da desordem”, os militares tem o dever de “proteger as instituições” contra os “maus políticos”, deixando claro que a intervenção militar está colocada na mesa como uma “solução” imediata diante do “caos” em que se encontram as instituições e o país, de acordo com as palavras do oficial.

A situação se tornou ainda mais delicada não só em  função das declarações desse general não terem sido contestadas pelo alto comando do Exército, mas da solidariedade que Mourão vem recebendo de outros oficiais, de seu superior – o comandante do Exército – e até mesmo de suboficiais, que também se pronunciaram em defesa das palavras que foram ditas por Mourão na Loja Grande Oriente.

Uma das mais contundente dessas declarações, inclusive, veio de outro oficial, o general de Brigada Paulo Chagas, em resposta ao pronunciamento, na tribuna do Senado, do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), onde o parlamentar qualificou o general Mourão de “maluco”. A resposta do general Paulo Chagas foi imediata e as palavras contidas no texto redigido pelo oficial reforçaram ainda mais as ameaças vindas do Exército.

“Os militares, Senador Randolfe, têm o dever de estar SEMPRE atentos às conjunturas interna e externa para, SE NECESSÁRIO, correr em socorro da Pátria e da sociedade quando essas estiverem dominadas pela ilegalidade e pela desordem, como é, sem dúvida, o rumo tomado pelo Brasil quando o observamos de dentro do local de trabalho de VExa” (site Diário do Brasil, 21/09).

Mais adiante, o oficial foi ainda mais incisivo: “Na opinião de grande parte da sociedade, onde incluo a minha, considerando a fragilidade moral dos três poderes da República, essa hipótese, além de ser a mais grave, é também a de maior probabilidade de ocorrer, portanto, senhor Senador, crescem de importância, de seriedade e de utilidade pública as declarações do brilhante militar pretensiosamente criticado por VExa.” (Idem, 21/09). 

O militar deu seu recado, deixando evidente que – em sua opinião – ao contrári do que afirmou o senador Randolfe, e que repete boa parte da esquerda pequeno burguesa – que sofrem de miopia e hipermetropia política -, não há nenhuma insanidade nas palavras do general Mourão. Nada que venha a sugerir que o mesmo seja algum “maluco” ou mesmo um destemperado verbal. A posição do general reflete a posição conspiratória e golpista que domina – há tempos – os altos escalões das Forças Armadas que – à serviço dos interesses do grande capital internacional e estrangeiro – avalizou a derrubada de Dilma e ameaça, agra, intervir diretamente na situação política para garantir a continuidade do golpe e dos seus ataques contra os trabalhadores e a economia nacional.

O PCO vem alertando, desde antes do golpe de 2016, que não há golpe de estado sem a participação direta ou, na melhor das hipóteses, sem o aval dos militares. A destituição do governo legitimamente eleito não teria seria sido possível se não fosse apoiado pelos generais. A aventura direitista da burguesia e do imperialismo, que vem buscando uma solução ainda mais à direita para tentar minimizar o impacto da crise em que se encontra o capitalismo desde 2008, abriu as comportas para tudo o que há de mais reacionário e conservador, aflorasse no País.

As insinuações e ameaças dos generais devem não só serem levadas a sério, mas principalmente serem enfrentadas por meio da mobilização do conjunto do movimento de luta dos explorados e de todos os que se reivindicam da defesa dos direitos democráticos do povo, para impedir que triunfe o golpe militar que vem sendo gestado no País, neste momento dentro dos quartéis.

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