MAIS se rende à Globo

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Como representantes da classe média, os grupos da esquerda pequeno-burguesa são dados a modismos. A moda da vez é elogiar a rede Globo. Apesar de todos os problemas da Globo – que em geral são deixados em terceiro plano – a emissora dos Marinho estaria se entregando à reivindicações da esquerda ou, nas palavras do MAIS – racha recente do PSTU -, a Globo está se “rendendo” às pautas do movimento.

O racha do PSTU publicou matéria em seu site com o título “Sobre Amor&Sexo: quando a Globo se rende à diversidade!”. A tese central, como o próprio título já diz, é que a toda poderosa emissora, porta-voz do imperialismo no Brasil, estaria sendo pressionada pelo movimento LGBT a falar sobre o assunto.

A ideia parece totalmente fora de sentido, mas é exatamente isso o que pensa o MAIS: “O que aconteceu só foi possível pela luta e resistência travada todos os dias, nas ruas e periferias do Brasil (…) A Globo, assim como o restante da burguesia, tem sido obrigada a nos incorporar”.

O MAIS não para por aí nos elogios à rede Globo, “sem dúvida, essa edição do programa foi um marco para a televisão brasileira”, diz a matéria.

Concepção muito semelhante já havia sido apresentada por vários setores da esquerda esquerda pequeno-burguesa ao elogiar a Globo por ter colocado roupa na Globeleza. Mas os elogias já são um pouco mais antigos, algumas novelas globais recentes deixaram a esquerda excitada por mostrar beijos gay e lésbico.

É absurdo, mas segundo o MAIS e uma boa parte da esquerda pequeno-burguesa, a Globo – principal propagandista e articuladora do golpe de Estado no País, que serviu para colocar no poder uma corja de homens reacionários e fascistoides – está adotando a política da esquerda, pelo menos no que diz respeito ao movimento LGBT.

Mas a pergunta que vem primeiro à cabeça é: o que ganha a Globo ao adotar a política da esquerda? A resposta só pode ser entendida se compreendemos o que realmente está acontecendo. Na realidade, não é a Globo que se “rende à diversidade”, mas é a esquerda pequeno-burguesa que adotou como política a ideologia da Globo e por consequência, do imperialismo mundial.

Em suma, o MAIS é um rabo que acredita estar balançando o cachorro.

A ideia totalmente insana do MAIS abre a possibilidade de mostrarmos o caráter da política da esquerda pequeno-burguesa. Essa esquerda abandonou a luta de classes para se jogar de cabeça em uma luta liberal sobre determinados temas muito específicos de movimentos minoritários, dominados por uma classe média. Assim, em vez de defender que os movimentos democráticos deveriam adotar um posição de classe e se juntar ao movimento da classe operária, a esquerda pequeno-burguesa coloca os movimentos feminista, LGBT e outros como centro de sua política.

Essa ideologia não é simplesmente um erro dessa esquerda. Na realidade é uma adaptação da própria ideologia imperialista. O imperialismo encontrou na demagogia com esses setores sociais uma cobertura para as atrocidades que comete pelo mundo. Basta ver qual era o centro da campanha eleitoral da candidata do Partido Democrático, Hilary Clinton, principal candidata do imperialismo nas eleições dos Estados Unidos.

A força desses movimentos é aparente. Ela vem justamente do apoio da burguesia imperialista que os usa como maneira de cooptação política da classe média. A política genocida do imperialismo fica encoberta pela demagogia com as mulheres e os LGBT. Enquanto isso, milhares de mulheres morrem nos países agredidos brutalmente pelas forças imperialistas.

Não é demais lembrar: a rede Globo é a principal correia de transmissão da ideologia imperialista no Brasil. É por isso, e somente por isso, que temas como LGBT e feminismo têm ganhado tanto destaque nos programas da emissora, diga-se de passagem, programas de muito mau gosto.

Diferente do que diz o MAIS, não só a Globo não se “rendeu” à diversidade, como é a esquerda pequeno-burguesa que segue e se adapta a uma ideologia imperialista.

A primeira coisa que os militantes do MAIS poderiam fazer é acordar para o fato de que há um golpe no Brasil que pretende arrancar todos os mínimos direitos que existem e as mulheres e os LGBT são alvos da direita mais reacionária. A MAIS, vindo do PSTU, ainda nega o golpe ou considera tudo como um mero “golpe parlamentar” A Globo é uma máquina que está à frente desse golpe. A segunda coisa é parar um pouco de perder tempo assistindo e levando a sério os péssimos programas da Globo.

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