Imperialismo ajudou “Pinochet da África” a perseguir suas vítimas

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Frequentemente as nações imperialistas alegam ser defensoras dos direitos humanos, da democracia e da liberdade em sua tentativa de justificar sua ingerência em países atrasados, indo desde o apoio a fantoches seus pelo mundo à invasão e ocupação militar. Os fatos, no entanto, são muito diferentes. Um relatório está sendo preparado pela Human Rights Watch (Observatório dos Direitos Humanos) mostrando o apoio da França e dos EUA ao regime de Hissène Habré, ditador do Chade entre 1982 e 1990.

O Le Monde teve acesso a um rascunho do relatório, que aponta, segundo reportagem do jornal francês publicada em 31 de maio, que “Paris apoio o regime de Habré para além do que era conhecido”. O relatório reúne numerosos testemunhos e documentos, e mostra o envolvimento do governo francês com o aparelho repressivo do Estado durante a ditadura de Habré. Serviços de inteligência do imperialismo como a CIA e o Mossad também apoiaram Habré, para atingir o regime da Líbia e desgastar Muamar Kadafi, aproveitando uma guerra entre o Chade e a Líbia em torno de um território em disputa.

O relatório mostra que houve uma estreita colaboração entre a Direção Geral de Segurança Exterior (DGSE), agência de inteligência francesa, e a polícia política de Habré, o Diretório de Documentação e Segurança (DDS). Depois de aprenderem uma série de torturas durante a ocupação nazista da França, os militares trataram de espalhar essas técnicas pelo mundo. Por meio da Escola das Américas, nos EUA, os franceses exportaram essas torturas para a América Latina, torturas que foram amplamente usadas durante as ditaduras no continente contra a oposição política, e continuaram sendo usadas depois pela polícia contra as populações pobres.

Essas mesmas torturas, que a extrema-direita francesa teve oportunidade de utilizar pessoalmente em sua tentativa de sufocar a guerra pela independência da Argélia, apareceram também no Chade, na época da colaboração da DGSE com o DDS. Torturas como choques elétricos, queimaduras com cigarros, gás de pimenta nos olhos, fome, ficar em uma sala com corpos em decomposição, entre muitas outras. Por conta da brutalidade de seu regime, Habré ficou conhecido como o “Pinochet da África”. Estima-se que 40 mil pessoas teriam sido mortas durante seu governo, e 200 mil torturadas.

No dia 30 de maio, Habré foi condenado por um tribunal apoiado pela União Africana à prisão perpétua por seus crimes contra a humanidade. Os franceses que participaram daquelas atrocidades, incluindo o próprio governo, estão soltos, enquanto o imperialismo continua interferindo nos assuntos internos de países atrasados em toda parte, de acordo com os interesses dos grandes monopólios capitalistas.

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